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Saqueadores

de Steven C. Miller

mau

Drama criminal, que parte do habitual heist para delinear uma história de corrupção onde os poderes talvez mereçam castigos violentos, Saqueadores, de Steven C. Miller é um filme de acção que parece glorificar a justiça violenta e os justiceiros por conta própria.

 

Há, quase que escrita no ADN dos Estados Unidos, uma tendência para ver a justiça pelas próprias mãos como um dos pilares fundamentais do modo de ser norte-americano. O tal direito à defesa, inserido na Constituição, e que ainda hoje alimenta debates sobre a proliferação das armas de fogo passa também para o cinema sob a forma de histórias de justiceiros improváveis, por meios ilegais.

É essa a ideia por detrás da maioria dos westerns, o mais americano dos géneros de cinema. Ela tem sido transposta para cenários urbanos modernos, na perversão das histórias que glorificam criminosos, numa aura de justiceiros honrados. Era assim nos filmes de gangsters dos anos 30, tal como no seu renascer nos anos 70, como foi assim nas sagas dos polícias duros de que Clint Eastwood e Charles Bronson foram os modelos na segunda metade do século passado.

Goste-se ou não da premissa, ela continua a alimentar muito cinema, feito da lógica (ou falta dela) da justiça fora-da-lei, seja nos combates amorais dos filmes de super-heróis, seja quando (sintoma do século XXI) é todo o status quo que é considerado corrupto, justificando quaisquer acções, por mais violentas que sejam, como sendo a razão de alguém justo.

É essa ordem de ideias que que está na base da história de Saqueadores, um filme que começa como um vulgar heist, passa a investigação policial, para cedo nos tentar baralhar os referenciais de «bons» e «maus», num jogo onde as vítimas (como o banqueiro interpretado por Bruce Willis) talvez mereçam o que sofrem, e os misteriosos agressores talvez tenham razões tais que abalam as convicções das forças da lei, como o incorruptível chefe de secção do FBI (Christopher Meloni), o novato e inocente recruta (Adrian Grenier) ou o sargento de homicídios habituado a fechar os olhos a muita coisa (Rico Simonini). Pelo menos fica a ideia que o filme de Steven C. Miller quer passar essa mensagem.

É esse um dos muitos problemas de Saqueadores. Não se trata somente de concordarmos ou não com a premissa do filme e sua pertinência, é que nem os personagens parecem saber se concordam com eles próprios. Ao querer construir um filme complexo, de argumento intrincado, Steven C. Miller baralha as motivações de todos, e deixa que no final ninguém saiba bem o que motivou as suas decisões, e muito menos se está contente com elas. O filme até começa bem, e evita aquele mal endémico do género, dos milhões de tiroteios e dezenas de explosões, concentrando-se aos poucos nas ideias, e não tanto na acção. Mas fracassa nas suas definições, resultando numa obra ambígua que nunca chega a ser carne (isto é, a fazer-nos pensar) nem peixe (ou seja, a regar-nos com a adrenalina da acção). O que resta é uma complexa teia de acontecimentos e conjecturas, nem sempre fácil de seguir, que até tenta puxar à lágrima nos escusados dramas caseiros dos protagonistas, e da qual não se consegue retirar qualquer alma ou emoção.

Resumo da crítica

Summary

Tentando ser um filme de acção que nos tenta surpreender, ao questionar se não são os justos os fora-da-lei, Saqueadores torna-se vítima da sua própria complexidade resultando num filme sem alma nem emoção.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
1.5 10 mau

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