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[Fantasporto 2020] Dead Dicks

de Chris Bavota e Lee Paula Springer

muito bom

Num festival responsável por celebrar o cinema fantástico, um dos filmes mais surpreendentes destaca-se pela mestria na abordagem de temáticas reais. Dead Dicks é uma história que emprega elementos de fantasia, mas tem sempre os olhos virados para temas sérios e a forma séria como os aborda – a depressão, o suicídio e as consequências para os que nos rodeiam.

 

Antes do filme iniciar, surge no ecrã uma mensagem a informar sobre os perigos do suicídio, juntamente com uma linha de ajuda para todos os que se sentem sem saída. É com este gesto extremamente humano que entramos no mundo de Dead Dicks. Na longa-metragem de Chris Bavota e Lee Paula Springer, Richie (Heston Horwin) é um jovem depressivo com um historial de tentativas de suicídio. Após receber uma chamada stressada do irmão, Becca (Jilian Harris) encontra-o no seu apartamento, rodeado de vários cadáveres iguais a ele. O que se segue é uma história tão humana quanto fantástica em que os dois irmãos tentam descobrir o que está a acontecer, com ocasionais momentos de terror e ainda de comédia.

 

Dead Dicks

 

Quase toda a ação de Dead Dicks está limitada ao apartamento de Richie, o que ajuda a focar a narrativa naquilo que realmente importa – a relação entre Richie e Becca. E é esta relação entre os dois irmãos que acaba por ser o trunfo do filme. Para além dos corpos e de todo o mistério, Dead Dicks é uma história cheia de coração sobre um rapaz que desistiu da vida e uma rapariga cuja vida está dependente do estado do irmão. A performance dos atores, apesar de ao início parecer um bocado isenta de brilho, vai melhorando ao longo da narrativa e a química entre os dois torna credível estarmos a ver dois irmãos que se amam e que estão preocupados um com o outro. O argumento, também assinado pelo duo de realizadores, ajuda a enfatizar a relação, com diálogos e discussões típicos de irmãos. O tema sério da história, que aborda o suicídio e a depressão, também é exibido de uma forma cuidada e inteligente, não caindo em tendências melodramáticas e estando ciente do quão comum e naturais são casos como este.

 

Dead Dicks

 

Mas mesmo quando o argumento não está ocupado a mostrar a relação dos irmãos ou abordar temáticas realistas, o mistério dos vários corpos de Richie espalhados pela casa, como eles chegaram ali e o que fazer com eles vai movendo a narrativa. Aliado a este fenómeno fantástico surgem algumas circunstâncias de comédia, geralmente graças ao vizinho Matt (Matt Keyes) que se irrita constantemente com o barulho do andar de cima. Porém, o humor é usado de uma forma leve e nunca forçado, sendo servido em doses pequenas como forma de aliviar dos momentos mais intensos.

Dead Dicks é um filme original que sabe jogar com o seu baixo orçamento, não o deixando limitar a narrativa. A música, da autoria de Julien Verschooris, faz lembrar a banda sonora dos filmes de John Carpenter e é um bom acompanhamento para a história. Visualmente, o filme não é extraordinário, mas a cinematografia e o trabalho de câmara são competentes e não nos distraem do que é essencial. A maior crítica recai sobre o final do filme, não só por ser divisivo, mas por não alcançar o patamar de qualidade que o resto do filme apresenta. Contudo, o destino não é suficiente para estragar a viagem – e, no caso de Dead Dicks, esta foi uma viagem divertida, inteligente e emocional que nos deixa curiosos pelo próximo passo na carreira destes realizadores.

Review overview

Summary

Inteligente, emocional e tratando a temática sempre de forma séria, Dead Dicks é uma boa peça de entretenimento que prima quando mostra o seu lado mais humano.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

Comentários