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Regressão

de Alejandro Amenábar

mau

15 anos depois de Os Outros ter estreado nas salas portuguesas a caminho de se tornar num filme de culto, Alejandro Amenábar está de regresso ao universo do thriller com Regressão, algo que por si só poderia ser suficiente para empolgar muitos espectadores (até porque aqueles que conhecem bem o trabalho do realizador sabem que Tese e De Olhos Abertos, os seus dois primeiros filmes, são igualmente bons espécimes do género), mas nesses casos, quando o objectivo falha, a desilusão torna-se ainda maior. Não é que Regressão seja fraco por carregar a assinatura de alguém que sabemos ser capaz de melhor, é apenas e só um filme fraco, independentemente do nome que vemos nos créditos.

O detective Bruce Kenner (Ethan Hawke) investiga o caso de alegado abuso sexual de um pai para com a sua própria filha (Emma Watson), que entretanto se retirou para a igreja local onde, isolada, tenta esquecer o seu trauma familiar. Numa tentativa de perceber o que realmente se passou e conseguir um testemunho viável, entra em cena o professor Kenneth Raines (David Thewlis) que, com recurso à hipnoterapia, tentará explorar a mente dos interveninentes por forma a trazer a verdade ao de cima.

O mais perturbador no meio de tudo isto acaba por não ser a trama obscura em que se embrulha, mas sim a aparente falta da mais pequena centelha de chama na produção. Com excepção de um ou outro momento que envolve Ethan Hawke sozinho no seu quarto com medo de ir dormir (e aquilo que acontece depois de adormecer), onde se nota o talento do realizador para a criação de tensão verdadeiramente incomodativa, tudo o resto é cinema de investigação do mais banal que existe, onde nem os esforços do elenco oferecem qualquer recompensa. O tempo passa e, entre as sessões de hipnose ou Hawke a caminhar em quartos escuros a tentar solucionar o mistério, acabamos por descobrir o inevitável: que não há nada nesta história realmente empolgante do ponto de vista cinematográfico. Como se isso não bastasse (ou se calhar precisamente por reconhecer as suas fraquezas), Amenábar tenta conferir uma “seriedade” falsa aos acontecimentos, avisando-nos logo de início que se trata de uma história baseada em casos reais envolvendo cultos satânicos.

Quando a trama finalmente se resolve e percebemos que tudo não passou de uma tentativa de lição de moral apimentada com uma espécie de twist bastante previsível desde que o mesmo é mencionado como uma possibilidade logo nos minutos iniciais, somos mais uma vez obrigados a recordar Os Outros como exemplo de um trabalho bem feito, um filme que não só sobrevivia como ganhava todo um novo significado após a sua grande revelação. Regressão, por outro lado, não é capaz de qualquer espessura dramática ou narrativa. Com ou sem twist, com ou sem lições de moral, é apenas fogo-de-vista e um filme que depressa cairá no esquecimento.

Review overview

Summary

Uma tentativa frouxa e desinteressante de suspense com uma lição de moral encaixada a martelo.

Ratings in depth

  • Interpretação
  • Argumento
  • Produção
  • Realização
1.5 10 mau

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