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Borg vs. McEnroe

de Janus Metz

mediano

Borg vs. McEnroe é a história de uma pseudo-rivalidade tornada num estereotipado estudo de personalidade, que deixa de fora o factor central, a tal rivalidade dentro e fora dos courts.

 

Filmes sobre figuras reais do desporto parecem fadados a seguir o template de analisar uma rivalidade entre duas figuras carismáticas. Tivemos há pouco o mundo milionário da fórmula 1, com o filme Rush – Duelo de Rivais (Rush, 2013) de Ron Howard, que analisava a competição entre Niki Lauda e James Hunt, e temos agora, numa premissa similar, a passagem para o não menos milionário e insuflador de egos mundo do ténis, com aquela que foi a mais mediática rivalidade de todos os tempos, a do sueco Björn Borg e do norte-americano John McEnroe.

Mediática porque essa rivalidade foi fabricada pela imprensa, pois os dois tenistas (pese o conhecido mau feitio do segundo) sempre foram amigos, e cruzaram-se pouco nos courts, com Borg a abandonar a competição aos 26 anos, no auge da sua fama, quando McEnroe era ainda uma promessa. Mas se outras rivalidades foram mais duradouras e intensas, nenhuma foi tão seguida pela imprensa, a ponto de hoje muitos (e o escriba destas linhas é um deles) se lembrarem da emoção com que viram a final de Wimbledon de 1980.

E é sobre esse torneio que o filme trata, numa altura em que Borg (Sverrir Gudnason) tinha muito a perder, temendo que, ao fim de quatro vitórias consecutivas, ficasse na história por ter perdido a quinta, e em que McEnroe (Shia LaBeouf) tinha tudo a ganhar ao desafiar o rei em título. Mas cedo no filme percebemos que (e mais um vez usando Rush como comparação), Borg vs. McEnroe não é tanto a história de uma rivalidade e do modo como ela definiu uma fase da modalidade, mas sim um estudo de personalidade do frio Ice Borg (alcunha com que passou à história), por contraste com a personalidade explosiva do bad boy dos courts, McEnroe, que vai surgindo no filme quer como lembrança da ameaça real ao trono de Borg, quer como contraponto de personalidade. Mas aos poucos percebemos que o que está em jogo (literal e figurativamente) no filme de Janus Metz é mais um Borg vs. Borg que um Borg vs. McEnroe (atente-se no número de flashbacks sobre o primeiro, e como surgem nos momentos dramáticos, e está tudo dito).

É aí que a premissa falha. Aprendemos muito sobre a aparente frieza do sueco, e do quanto isso lhe pode ter vindo a custar e àqueles que o rodeavam. Descobrimos o que o motiva e como gere os momentos (por vezes de forma bem peculiar). Mas não deixamos de sentir que o McEnroe de LaBeouf é apenas uma muleta narrativa.

Por fim há o ténis, e não nos devemos esquecer dele. Num filme que deve ser também um olhar sobre este desporto, Janus Metz opta por fugir à beleza artística das jogadas e movimentos – que vemos sempre muito de viés, e raramente em completos –, para a substituir pela pretensa beleza estética dos planos picados sobre o verde do court.

Falhando na premissa e na curiosidade que seria ver como o cinema filma o ténis, resta a Janus Metz (a partir do argumento de Ronnie Sandahl) mostrar-nos como gere os seus personagens. E aí volta a falhar, dando-nos um olhar demasiado estereotipado sobre o que poderá ser um bloco de gelo como Björn Borg. Resta a nostalgia da era, e a curiosidade de ver algum ténis no grande ecrã.

Review overview

Summary

Retrato algo estereotipado sobre os vulcões internos de um reputado bloco de gelo, Borg vs. McEnroe dedica-se à personagem do primeiro, esquecendo-se que podia (devia) ser um filme sobre a dinâmica de contrastes de personalidades e do modo como isso encaixou no ténis de um determinado período.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2.5 10 mediano

Comentários