Ninguém está mais admirado do que eu próprio com a minha reação a esta retrospectiva Star Trek. Nunca fui um fã dedicado da saga mas não me recusava a ver um dos filmes, se estivesse a dar na televisão, ou um ou outro episódio das séries televisivas – mais a Next Generation e a Voyager, porque a série original não me lembro de ver exibida e o Deep Space Nine nunca me cativou.
E o meu espanto prende-se com a minha reacção aos dois filmes, até agora, da nova geração. De uma forma geral foram experiências mais satisfatórias do que que as aventuras da tripulação original, com a excepção de Star Trek II: A Ira de Khan. Acredito que prefiro a companhia, perdoem-me os fãs, do Jean-Luc Picard do que do Capitão Kirk. Patrick Stewart tem uma nobreza mais acessível e relacionável do que William Shatner alguma vez teve – Shatner sabotava-se muitas vezes do alto do seu ego e arrogância.

É verdade que Star Trek: O Primeiro Contacto sofre de alguns soluços narrativos, nomeadamente o uso da viagem no tempo, mais uma vez, como dispositivo de enquadramento para a história. Mas a introdução dos Borg como vilões oferece, não só um antagonista aparentemente imparável, de contornos Orwellianos, como permite nitidamente explorar elementos semeados na série que tornam a batalha de Picard pessoal e de uma complexidade invulgar na saga cinematográfica.