Star Trek Nemesis foi o canto do cisne para a tripulação liderada por Jean-Luc Picard no grande ecrã e é muito pouco apreciado junto dos fãs mais intensos da saga. Isto porque houve, em Nemesis, uma tentativa de afastamento da fórmula tradicional e uma aproximação ao cinema de acção, trazendo a bordo nomes que nunca tinham colaborado com o universo, nomeadamente o argumentista John Logan e o realizador Stuart Baird, afastando Jonathan Frakes do leme. Logan, que tinha o oscarizado Gladiador no currículo, viria a colaborar com Martin Scorcese e com a franchise do agente com licença para matar, James Bond. Curiosamente Stuart Baird, editor muito solicitado, viu a sua carreira estagnar após este filme, contando apenas com mais dois títulos no currículo, Decisão Crítica, com Kurt Russel, e U.S. Marshalls – A Perseguição, com Tommy Lee Jones.

É necessário ser claro em relação a uma coisa: Star Trek: Nemesis não é um grande filme. O argumento é confuso e algo inconsequente, com opções óbvias e simbologia forçada. Mesmo Tom Hardy, num dos seus primeiros papéis, não é extraordinário constrangido na pele de um vilão indistinto, clone de Jean-Luc Picard sem que com ele partilhe qualquer tipo de semelhança. Ron Perlman, presença sempre fiável, é desperdiçado debaixo de toneladas de prostéticos, e os momentos de suposta carga emocional não funcionam, com um sacrifício a espelhar o sacrifício de Spock em Star Trek II: A Ira de Khan, mas sem o mesmo impacto.