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Wildling – A Última Criatura

de Fritz Böhm

mediano

Se o crescimento é deixar para trás os contos de fadas, Wildling – A Última Criatura (2018) usa-os para nos dizer que ele é a descoberta metafórica do animal que trazemos dentro de nós.

 

Quando, nos momentos iniciais de Wildling – A Última Criatura, ouvimos o personagem do papá (Brad Douriff) recitar em voz tenebrosa à pequenina e assustada Anna (Aviva Winick) as conhecidas passagens do conto do Capuchinho Vermelho, em que o lobo, disfarçado de avozinha, tenta enganar a menina, percebemos imediatamente que o mais moralista dos contos de fadas será usado de forma perversa na estranha educação daquela que cedo percebemos confinada a quatro paredes, numa realidade que lembra Quarto (Room, Lenny Abrahamson, 2015).

Só que, aqui não há um drama de abuso, apenas um coming-of-age protagonizado por Bel Powley (ou seja, a Anna adolescente), uma actriz que se vem especializando em personagens de raparigas desadaptadas, geralmente em filmes que não estão à sua altura – agora na metáfora de uma transformação que vai além da hormonal da puberdade. É que Anna tem um segredo na sua origem, que nem ela conhece, nem ninguém – à excepção do tal “papá” – está para ele preparado.

Com Liv Tyler no papel de uma mãe por tentativa, e centrado na auto-descoberta de Anna, Wildling – A Última Criatura, é a primeira longa-metragem de Fritz Böhm (que escreveu o argumento com Florian Eder), inserindo-se numa actual vaga de terror baseado numa certa descoberta sangrenta da feminilidade, que nos deu recentemente filmes como Raw (Grave, Julia Ducournau, 2016) e Thelma (Joachim Trier, 2017).

Sóbrio, filmado em passo lento, com uma fotografia cativante e uma Bel Powley entusiasmante, Wildling – A Última Criatura nunca deixa de nos fazer pensar que a história está contada logo nas primeiras linhas e tudo o resto é apenas um sublinhado com muito pouco a acrescentar. Talvez seja matéria de filme de culto, ou talvez apenas, a enésima forma de o cinema brincar com o conto do Capuchinho Vermelho, e longe de ser o exemplo mais imaginativo.

Review overview

Summary

Enésima versão da história do Capuchinho Vermelho, num drama de descoberta de adolescência, com muito estilo, uma excelente Bel Powley, mas de imaginação limitada.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2.5 10 mediano

Comentários

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