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Viver na Noite

de Ben Affleck

mau

Com um marketing a pensar no imaginário de O Padrinho, Viver na Noite (2016) é mais um drama criminal que explora o frutuoso filão do crime organizado dos Estados Unidos, numa adaptação do célebre escritor de thrillers Dennis Lehane.

 

Pode-se dizer que Viver na Noite tem o seu trunfo em Dennis Lehane, o autor do livro do qual é adaptado. Foi a partir de obras suas que chegaram ao cinema Mystic River (2003), Vista pela Última Vez (2007) e Shutter Island (2010). Só que a isso soma-se o lado negativo, chamado Ben Affleck, o qual produziu, escreveu, realizou e interpretou o presente Viver na Noite. Não que Affleck não tenha já mostrado saber escrever (por exemplo O Bom Rebelde, de 1997) ou produzir e realizar (por exemplo Argo, de 2012), mas tal vem acontecendo cada vez menos, perante as suas necessidades de seguir fórmulas e estereótipos.

É isso que acontece em Viver na Noite (que curiosamente se passa quase integralmente de dia), um filme que parece ceder ao peso da iconografia que quer homenagear, das metralhadoras Tommy Gun, aos carros Ford A, onde não faltam perseguições vertiginosas (num carro que mal chegava aos 100 km/h, nos dias bons).

Estamos então na era da Lei Seca (que durou, nos Estados Unidos, de 1920 a 1933), com um grupo de amigos liderados pelo irlandês Joe Coughlin (Bem Affleck) e que inclui o italiano Dion Bartolo (Chris Messina) a envolver-se nos crimes dos bandos organizados de italianos e irlandeses, o que só se complica quando Joe se envolve amorosamente com Emma Gould (Sienna Miller) a namorada de um chefe mafioso. Fugas, mortes e prisões depois, Joe vai gerir o império de outro mafioso no sul, onde se apaixona pela cubana Graciela (Zoe Saldana). O império aumenta, gerido a ferro e fogo, apesar das ameaças do representante do Ku Klux Klan (Matthew Maher), de um xerife relativamente honesto (Chris Cooper), e do levantamento religioso da sua puritana filha (Elle Fanning). Voltam mais banhos de sangue, dignos de Tarantino, para trazer novos equilíbrios, que passam também pela necessidade de nos comover com mortes inesperadas.

Fica desde sempre a ideia de que o importante é cumprir objectivos, mostrar imagens icónicas (veja-se o cartaz onde Affleck imita a pose de Al Pacino em O Padrinho II) e ir dando uns tiros nos momentos planeados, se possível com algum humor. Isto com um actor que consegue ter a mesma expressão durante todo o filme, sem lhe conseguir dar ao seu personagem a espessura e complexidade que os cartazes do filme prometem, nem ser capaz de nos fazer sentir que há algo mais a acontecer que uma espécie de caricaturização de uma era e contexto, que já vimos milhares de vezes, e mais bem representada.

Resumo da crítica

Summary

Limitando-se a cumprir objectivos e a mostrar imagens que remetam para o imaginário dos filmes do crime organizado do tempo da Lei Seca, Viver na Noite padece de um protagonista sem espessura, sem que Ben Affleck consiga concretizar o que de bom há na escrita de Dennis Lehane.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2 10 mau

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