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Uma Família Ideal

de Andrew Fleming

mau

Espécie de Kramer contra Kramer onde de um dos lados está agora um casal homossexual, Uma Família Ideal é a forma de Andrew Fleming contribuir para a causa da adopção por casais homossexuais.

 

Antes de mais, convém informar que Uma Família Ideal (Ideal Home, 2018) é um filme com um propósito bem concreto: mostrar que um casal homossexual pode ser uma solução tão viável na educação de uma criança quanto um casal heterossexual. Quem dele duvidar fique após os créditos finais, e veja um álbum fotográfico que mostra imagens de felicidade entre crianças e os seus progenitores do mesmo sexo. O tema é actual e pertinente, e discute-se em muitos países onde a legislação está (ou não) a mudar, e Andrew Fleming – um homem essencialmente ligado à televisão –, que escreveu e realizou o filme, entendeu que com isso devia fazer cinema.

O veículo foi uma espécie de comédia romântica, protagonizada por dois actores consagrados, Steve Coogan e Paul Rudd, que interpretam um casal a atravessar uma crise numa relação já algo gasta e com as marcas do tempo bem visíveis. Ao receberem em casa o neto do primeiro deles (Jack Gore), tudo vai mudar, não só porque o casal tem de dar o passo no sentido de tomar responsabilidades, como tal traz aos três uma noção de família que antes nenhum conhecera verdadeiramente.

Podendo ser descrito como um filme para toda a família (excepto as mais conservadoras), daqueles para ver no aconchego do lar num domingo à tarde, Uma Família Ideal padece de todas as maleitas do género, que passam geralmente pela caricaturização dos protagonistas e uma lógica interna de loucura que não permite que o levemos a sério. A isto, e dado o tema, junta-se um abuso dos clichés sobre o que é a homossexualidade, principalmente associada à personagem excêntrica de Steve Coogan (especialista de culinária num programa de televisão, mas antes de mais uma prima-dona afectada de um snobismo extremo).

História simpática, onde tudo acaba bem, onde o pestinha incial, filho de um pai bêbedo (Jake McDorman) e em constantes problemas com a justiça, cedo aceita os novos pais, sem quaisquer preconceitos, depois das habituais sequências de confrontos cómicos, passamos a uma resolução que lembra Kramer contra Kramer (Kramer vs. Kramer, 1979), de Robert Benton, mas onde, em vez da disputa entre pai e mãe, temos a disputa entre casal homossexual e pai biológico.

Com diálogos divertidos, mas sem grandes camadas de interpretação que não passem por sabermos que o pai é uma péssima influência, que o casal é risível e cheio de defeitos, mas no fundo boas pessoas, e que o miúdo apenas quer uma oportunidade para ser um miúdo em paz, o filme vai passando de piada em piada e de cliché homossexual em cliché, para nos fazer ver que não há distinção entre casais homossexuais e heterossexuais. A abordagem valeu-lhe críticas entre os homossexuais, que acusaram Fleming de perpetuar estereótipos errados e perniciosos, com Fleming defendendo-se de que a história é baseada em si próprio e em pessoas que conhece.

Review overview

Summary

Comédia ligeira sobre a parentalidade homossexual, Uma Família Ideal perde-se no seu aspecto cómico para que seja levado a sério, com Steve Coogan a conduzir todo o filme com a excentricidade (e os estereótipos) da sua personagem.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2 10 mau

Comentários

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