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Top 10 . 2018

O ano de 2018 ficou longe de ser grandioso. Poucos riscos se correram no que toca à maior parte das produções de grandes estúdios de Hollywood, no entanto são o cinema independente e o género sci-fi que parecem continuar a dar cartas não tendo medo de surpreender. Em Portugal temos sempre o problema dos filmes da award season estrearem apenas a partir de Janeiro e por esse mesmo motivo (e acabando por facilitar bastante a minha escolha) vou incluir apenas os filmes cuja data de estreia oficial decorreu durante o ano de 2018. Não tendo visto este ano tantos filmes quanto gostaria, ficam ainda por ver muitos pelos quais tenho curiosidade.

Sem ordem nenhuma em especifico, aqui ficam aqueles que para mim foram de alguma forma os mais significativos para o cinema deste ano e dignos de destaque:

A Quiet Place (Um Lugar Silencioso), de John Krasinski

Quando um filme contém tudo aquilo que um género deve ser. Bem vindos a um cenário pós-apocalíptico não muito distante, onde reina o silencio e todos aqueles que se atreverem a fazer qualquer som se condenam automaticamente a um fim. O grandioso trabalho tanto dos actores como da edição de som, fazem com que seja meio caminho andado para o sucesso deste filme, cuja história é inquietante do inicio ao fim, cheia de grandes interpretações e uma cinematografia de tirar o fôlego, criando por si só uma envolvência interessante deixando o espectador com uma ansiedade tremenda pelo que está por vir.

Isle of Dogs (Ilha dos Cães), de Wes Anderson

A segunda aventura cinematográfica de Wes Anderson pela animação stop-motion é impecável em todos os aspectos. Ambicioso e adorável, Isle of Dogs é aparentemente só um filme sobre o amor pelos cães, mas que rapidamente se revela muito mais que isso à medida que vamos avançando na história que nos dá muito que pensar ao longo do seu desenvolvimento. O cast de vozes não poderia ser mais perfeito, assim como a atenção ao detalhe, e aspectos visuais comuns à magia sempre encantadora do cinema de Wes Anderson.

Tully, de Jason Reitman

Tully revela o lado sombrio da maternidade, que certamente se conecta com muitas mulheres que já passaram ou estão a passar pelas dificuldades, mas também pelas alegrias que isso acarreta. O melhor de tudo é que mesmo para quem ainda não saiba o que isso é (o meu caso) a experiência se torna emocional, com a magnifica Charlize Theron a dar tudo, para que a sua ligação connosco enquanto expectadores seja a mais real e sentimental possível. Aqui temos o factor comédia sempre ligado de forma satírica à vida familiar e ao papel da mulher enquanto dona de casa e progenitora, enquanto vemos situações que poderiam perfeitamente ser reais e inseridas no dia-a-dia de alguém comum, coisa que Jason Reitman consegue atingir em todos os seus filmes, que têm sempre um sabor agri-doce ou não gostasse ele de contar as histórias reais de pessoas que bem poderiam ser reias.

Hereditary (Hereditário), de Ari Aster

Uma boa experiência de horror, é aquela que nos incomoda e perturba, mesmo quando não estamos perante nada chocante a nível visual. Hereditary está ao nível de muitos bons filmes da era de ouro do género, onde encontramos bastantes semelhanças quer de ritmo, intensidade ou mistério, de muitos dos mais emblemáticos filmes de horror, principalmente do horror psicológico, aquele que mais aprecio. O ambiente mexe connosco só pelo facto de não sabermos ao certo onde vamos chegar, andando as voltas pelo caminho traçado, caminho esse onde o espiritismo e o historial de crenças e atitudes nos fazem ficar baralhados. Os actores impecavelmente são parte do sucesso do filme e são meio caminho andado para esse factor perturbador dar certo.

First Reformed (No Coração da Escuridão), de Paul Schrader

Como falar deste filme sem elogiar mil vezes a prestação de Ethan Hawke?! Absolutamente incrível. É graças à melancolia, dor e entrega que ele coloca no personagem que faz com este filme seja ainda mais introspectivo e envolvente de se ver. Paul Schrader escreve e realiza esta obra sobre um padre de uma igreja intitulada de First Reformed, cuja morte do filho na guerra do Iraque pôs à prova as suas crenças levando ao fim do seu casamento e o tornou alcoólico. Uma viagem emocional sobre solidão, onde a fé se perde e os fantasmas do intimo levam à perda da esperança e do amor. Maravilhosamente filmado de ambiente bastante intimista, é daqueles filmes que nos acompanham muito depois de terem terminado.

Assim Nasce Uma Estrela (A Star is Born), de Bradley Cooper

Bradley Cooper estreia-se na realização, escrevendo e protagonizando esta história ao lado do talentoso ser que é Lady Gaga. A carga emocional que o filme carrega, vai muito mais para além daquilo que é a industria musical mostrando vulnerabilidades de pessoas comuns, da sua vida pessoal e dos seus desafios enquanto figuras no mundo da música. Para além da grande interpretação de Bradley Cooper, o argumento e a realização são impecáveis, mencionando a tremenda química existente entre ele e Lady Gaga que transborda para lá do ecrã. Gaga é uma rainha, excelente cantora e compositora dá-nos uma poderosa interpretação, emocional e muito intima, conquistando tudo aquilo em que toca. Arrisco-me a dizer que facilmente será lembrado como um dos romances dos últimos tempos. Como na vida real, nem tudo é um mar de rosas e é bom que existam filmes assim.

Annihilation (Aniquilação), de Alex Garland

O fenómeno Annihilation começou muito antes de sequer ter chegado a todo o público. Sendo um dos mais esperados desde ano, contendo imenso hype em torno da sua chegada, foi uma surpresa para todos saber que o novo sfi-ci de Alex Garland (Ex Machina) saltava a estreia no cinema directamente para as mãos da Netflix. Intitulado de demasiadamente intelectual e complexo para os gostos da maior parte das audiências, é sabido que a Paramount entrou em pânico assim que percebeu o que tinha em mãos. É pena, pois constata-se que Annihilation certamente se transformará em filme de culto, que se sente mais do que propriamente se revela concreto, dando origem a inúmeras teorias possíveis em torno do que estamos a observar. Uma experiência envolvente que nos absorve para dentro dela e nos incomoda pela facilidade com que nos agarra para dentro do desconhecido.

Mission: Impossible – Fallout (Missão: Impossível – Fallout), de Christopher McQuarrie

Com a chegada de Mission: Impossible – Fallout, a fasquia rebenta e sendo este um dos melhores filmes de acção dos últimos anos, como mais uma das provas que os blockbusters podem ser de extrema qualidade contendo um bom equilíbrio no que toca a escrita vs parte técnica. As sequências de acção vão aumentando de intensidade à medida que o plot se vai desenvolvendo, enquanto ficamos com os nervos em franja! Humor e suspense são aqui bons aliados, juntando uma banda sonora perfeita que ajuda a entranhar o espírito frenético e intenso, saindo da sala a pensar como é que é possível um simples filme de acção mexer tanto connosco, permanecendo na memória tal é a perfeição na execução de muitas das cenas.

BlacKkKlansman, de Spike Lee

Inteligente e provocador BlacKkKlansman é o retrato poderoso sobre as questões raciais que a América enfrenta desde sempre e sobre a forma assustadora com que ainda nos dias de hoje isso se continua a fazer sentir. A história é real, passada nos anos 70, sobre um policia negro que se infiltra no Klu Klux Klan com a ajuda de um colega judeu, e de como conseguiram expor algumas das intenções deste grupo extremista a favor da supremacia branca. Spike Lee dirige com estética bastante interessante, esta impressionante história cheia de grandes performances, humor mas também uma forte mensagem racial e social que infelizmente nos faz perceber que a humanidade continuar a falhar em tantos aspectos importantes. Nada nos prepara para o final poderoso e triste, mas absolutamente necessário para complementar a importância deste filme.

The Ballad of Buster Scruggs (A Balada de Buster Scruggs), de Ethan Coen & Joel Coen

Seis pequenos contos sem qualquer relação entre si se desenrolam nesta pequena grande pérola dos Coen Brothers, cujo o cenário é o velho oeste e o tema em comum a morte. O humor característico da escrita dos Coen está também presente em todos eles, recorrendo a diferentes tons e assuntos acompanhado pela belíssima cinematografia que também nos enche as medidas. Notando-se perfeitamente que este é um filme feito com muito amor, e não fosse já conhecida a paixão do duo pela melancolia e bela tristeza presente no estilo western, The Ballad of Buster Scruggs é uma autentica delicia cinematográfica. São os Coen a espalhar amor.

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