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Thelma

de Joachim Trier

muito bom

O regresso de Joachim Trier é um thriller de contornos sobrenaturais, que funciona como um drama coming-of-age numa parábola de auto-descoberta de feminilidade.

 

Thelma (Eili Harboe) é uma rapariga norueguesa, que deixou a casa dos pais pela primeira vez, para ir estudar na universidade em Oslo. Esse é o ponto de partida do filme de Joachim Trier – o autor do celebrizado Oslo, 31 de Agosto (Oslo, 31. August, 2011) –, que surge, aparentemente, como um olhar vago para uma história banal, como sugerido num dos planos iniciais, um plano picado sobre o campus universitário, que nos deixa a tentar adivinhar o que estamos a ver até, no meio da multidão caótica que se move como formigas, nos vamos centrando na figura da jovem protagonista que entra pela primeira vez naquela que será a sua nova casa.

Filmado com uma frieza escandinava quase minimalista, o drama de Thelma é uma parábola de auto-descoberta. Pela primeira vez longe de casa, pela primeira vez possibilitada de fazer escolhas, vamos reconhecer em Thelma uma educação conservadora, de forte pendor religioso, que mais tarde perceberemos se afirmava contra algo mais: um poder inconsciente, e sobrenatural que agora se vem manifestar como expressão de desejos proibidos, como é a sua reprimida relação erótica com a colega Anya (Kaya Wilkins).

E assim, um tanto ou quanto inesperadamente (ou não, para quem conhece o trailer e a premissa, ou para quem então ainda se lembrar da perturbadora sequência inicial que funciona como um prólogo e teaser para o que virá depois), Thelma torna-se um thriller sobrenatural, com a protagonista a braços com episódios que não compreende, fruto proibido (onde nem faltam serpentes) de uma capacidade interior, ligada a desejos e à sua necessidade de afirmação, que resultam em poderes paranormais.

Vem-nos à memória Carrie (1981), de Brian De Palma, segundo a história de Stephen King, ou o mais recente Raw (Grave, 2016), de Julia Ducournau, como exemplos de como a descoberta e afirmação de feminilidade, com tudo o que isso significa de transformação emocional e hormonal, quando vistas de um ponto de vista visceral, e quase mitológico, resultam cinematograficamente em metáforas sobrenaturais de carácter horrífico. Mas em comparação, Thelma é tranquilo, contemplativo, sem procurar o susto ou o horror, focando-se apenas no conflito interior da protagonista, numa tonalidade sempre tão asséptica quanto misteriosa, onde o ritmo lento é provocador, e Joachim Trier se parece divertir pelo modo como nos vai dando, migalha a migalha, pistas de um caminho que não sabemos onde nos leva.

Review overview

Summary

Filmado numa frieza escandinava quase minimalista, o drama de Thelma é uma parábola de auto-descoberta, onde Joachim Trier dá, de um modo seguro, contemplativo e provocador, um retrato coming-of-age de repressões, desejos e tentações.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

Comentários