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The Beatles: Eight Days A Week, The Touring Years

de Ron Howard

muito bom

Se pensamos que já vimos e sabemos tudo sobre os Beatles, Ron Howard surpreende-nos ao centrar-se num tema, a carreira ao vivo dos Fab Four, trazendo um diversificado documentário que conta uma história humana, com uma recolha de imagens fenomenal, num tratamento e montagem de excepção, que, com a participação de Paul e Ringo, nos transporta bem para o epicentro da Beatlemania.

 

Como pegar na história da banda rock mais popular de sempre, e fazer um documentário que nos traga algo de novo? Foi isso que o realizador norte-americano Ron Howard se perguntou e tenta responder com este The Beatles: Eight Days a Week, The Touring Years (2016).

Com produção da própria Apple Corps, e colaboração directa de Paul McCartney, Ringo Starr, Yoko Ono e Olivia Harrison, que cederam acesso aos seus arquivos pessoais, a ideia de Ron Howard, um realizador habituado a tratar só com galinhas dos ovos de ouro, foi a de focar o seu olhar num só tema, e explorar a partir dele o impacto dos Beatles no seu tempo. O tema foi, como o título indica, a carreira dos Beatles como banda ao vivo. Afinal foi ao vivo, nos inúmeros concertos em Liverpool, e depois da passagem por Hamburgo, que tudo começou. Foi ao vivo que o fenómeno da Beatlemania ganhou proporções inimagináveis (e hoje mesmo incompreensíveis), e foi da sua decisão de deixarem os palcos, em Agosto de 1966, que a banda cresceu, para se reinventar em estúdio.

Mesmo que tudo isto já tenha sido dito e mostrado muitas vezes, Ron Howard tem o mérito de conseguir (mercê de uma colecção de imagens riquíssima, algumas nunca antes vistas) contar uma história, fazendo-o com uma montagem dinâmica de fontes diversificadas, onde não temos necessidade de um narrador, pois, as fotos, os clips de cada momento, os sons da rádio, os excertos de TV, os recortes de jornais, e as entrevistas dos próprios Beatles contam a história por si só.

Há ainda depoimentos extra, como as apreciações musicais de Elvis Costello, o destaque de Whoopi Goldberg sobre a universalidade da Beatlemania, e o comovente episódio narrado pela hoje historiadora Kitty Oliver sobre o fim da segregação racial trazido pela recusa dos Beatles de tocarem para públicos separados num seu concerto em Jacksonville. Sempre numa perspectiva muito americana, temos longas intervenções de Larry Kane, um jornalista que acompanhou a banda durante dois meses na estrada, e a muito curiosa intervenção de Sigourney Weaver, «encontrada» pela equipa de Ron Howard na multidão do concerto do Hollywood Bowl.

Mas mesmo que já conheçamos a história toda, vê-la traz-nos outra intensidade. Do humor genuíno e alguma inocência inicial dos quatro de Liverpool, à histeria incrível das suas fãs, do modo como eram recebidos em cada cidade que visitavam, à forma como lidavam com o desgaste da fama, é sempre no lado humano que o filme de Ron Howard se centra. A isto junta-se o incrível tratamento de imagem (e de som, da autoria de Giles Martin, filho do recentemente falecido George Martin), fazendo com que alguns dos excertos ao vivo dos Beatles nos surjam com uma limpidez nunca antes pensada.

E sempre centrados no palco, vemos momentos de concertos (às vezes temas quase completos, às vezes pequenos excertos) que vão de Inglaterra à Filipinas, da Suécia à Espanha, do Japão à Austrália, nunca esquecendo os Estados Unidos, que recebem a parte de leão do filme. Espanta a força dos Beatles ao vivo, quando mal se ouviam a si próprios, a forma como dependiam uns dos outros, e como enfrentavam a imprensa, e as adversidades em geral, com um humor irresistível.

Pelo lado negativo, nota-se que The Beatles: Eight Days a Week, The Touring Years é um filme «limpinho», à medida de Howard, onde se dá ao público aquilo que se sabe que ele quer. Por isso, de fora ficam temas mais polémicos, como as crescentes dissensões na banda, o papel das drogas, os passos em falso na direcção da espiritualidade, etc.

Fica sobretudo um filme de celebração, documento de uma geração, e recolha de imagens tratadas e montadas exemplarmente, num resultado final que tem que espantar, mesmo aqueles que pensam que já viram tudo.

No final do filme surge ainda uma montagem de 30 minutos do concerto de Shea Stadium, em Nova Iorque, no dia 15 de Agosto de 1965, perante 54 000 pessoas aos berros. Poucas vezes se terá oportunidade de ver os Beatles em concerto tão de perto, e ouvi-los com tal limpidez.

Resumo da crítica

Summary

Documentário sobre a carreira ao vivo dos Beatles, com uma extraordinária recolha de imagens, muitas delas inéditas, com a colaboração dos próprios, no qual Ron Howard consegue contar uma história humana do que foi a Beatlemania e como isso tocou aqueles que a viveram.

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