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Star Wars: Episódio VIII – Os Últimos Jedi

Rian Johnson

mediano

A famosa galáxia longínqua de há muito, muito tempo está de volta com o oitavo episódio da saga Guerra das Estrelas, segundo da trilogia criada por J. J. Abrams para a Disney, agora com Rian Johnson ao leme.

 

A saga cinematográfica Guerra das Estrelas é assim como o Natal (com o qual, aliás vai partilhando alguns Dezembros). Muitos podem dizer que antes é que era bom, que agora parece contar mais o instinto comercial, que as coisas já não têm o mesmo sentimento… mas, ano após ano, quase todos nós ansiamos por mais um.

Dito isto, não penso que se possa avaliar esta saga sem se ter em conta o peso emocional que ela tem para muitos, na nostalgia de tempos antigos (os nossos, não os de «a long time ago…»), de personagens que já parecem quase da família, e de conceitos e aventuras que sempre acompanharam o lado mais fantasioso da nossa imaginação.

Por outras palavras, ao comentarmos um filme como Star Wars: Episódio VIII – Os Últimos Jedi, não nos podemos abstrair de que estamos a falar de mais um episódio daquela que talvez seja a mais famosa saga de aventuras da história do cinema. Numa altura em que se assiste a uma serialização do cinema de aventuras e fantasia – veja-se o caso Marvel –, uma análise tendo em conta o seu peso cultural (na nostalgia que é já de duas gerações) em jeito de episódios de série contrapõe-se com pensar no filme como um objecto independente.

Começando pela primeira abordagem, Os Últimos Jedi é a continuação directa de Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força (J. J Abrams, 2015), continuando o universo criado por George Lucas e desenvolvido numa série de filmes (para não falar de livros e outros meios), desde 1977. É tematicamente mais complexo que o seu predecessor, mais animado, mais violento, com mais drama e as mesmas doses de aventura e escapadelas humorísticas. Tecnicamente não baixa a fasquia, introduzindo maiores níveis de ambiguidade nos personagens centrais (interpretados por Daisy Ridley e Adam Driver). Não responde a tudo o que se perguntara antes, mas sabe manter a expectativa para o que virá a seguir. Diria que, quem gostou do episódio VII vai adorar este VIII.

Pensando nele como um filme independente, o filme de Rian Johnson traz-nos mais problemas. Não padece do principal mal do filme anterior de ser um remake – quase sem tirar nem pôr – do filme original de 1977, mas sofre da mesma necessidade de repetir alguns episódios e comportamentos (sem querer estragar nada, preparem-se para um treino pouco ortodoxo de uma aprendiz que passa o tempo a ter visões, como no episódio V; um duelo entre luz e o senhor do mal com o acólito do lado negro a assistir, como no episódio VI; e a uma retirada para um planeta todo branco, assolado pelas mesmas máquinas de guerra do episódio V). Essa falta de imaginação resulta em novas lacunas de argumento, diálogos infantis, soluções apressadas e um humor que chega a fazer-nos pensar que estamos num spoof de Mel Brooks (veja-se a sequência de abertura)

Falta ainda a Rian Johnson perceber a lição dos clássicos. A tensão cria-se, a espectacularidade conquista-se. Ter espalhafatosas batalhas espaciais de cinco em cinco minutos, intercaladas com intensos duelos de lutas de sabres de luz e disparos de elevada pirotecnina ao mesmo ritmo, sempre na iminência de sacrifícios maiores que a vida, não cria tensão nem atmosfera, torna-se um circo.

Como se não bastasse, assiste-se a uma estranha (e talvez perigosa) obsessão pelas missões suicidas. Dir-se-ia que o filme é patrocinado por qualquer grupo terrorista, tal o número de vezes que se glorificam as mortes em prole de ideais (contei umas cinco vezes). E mesmo quando estas são interrompidas por alguém que resolve que vivemos para salvar quem amamos, e não para matar quem odiamos, fá-lo – adivinhe-se –, através de uma missão suicida… que nem sequer é a última do filme.

E, claro, pelo meio promovem-se novos bichinhos, que há merchandise novo para vender.

Em suma, quem gostou de O Despertar da Força pelo alimentar da nostalgia perdida e renascer da fantasia mirabolante de outros tempos, vai continuar a gostar dos mesmos personagens, dilemas e aventuras. Quem viu esse filme como um engonhar repetitivo, parco de ideias novas, de soluções preguiçosas e sem um rumo, vai ver exactamente o mesmo neste.

Afinal, nem todos temos que ver o Natal com os mesmos olhos. Eu, continuo a ver-lhe cada vez mais defeitos, mas ainda assim, venha mais um!

 

Review overview

Summary

A sequela directa de O Despertar da Força repete-lhe as forças e fraquezas, com Rian Johnson a tentar trazer mais complexidade, no que reverte em maior intensidade, mas nem por isso conseguindo uma obra mais original ou elegante que a sua antecessora.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2.5 10 mediano

Comentários