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[Queer Lisboa 2018] Bixa Travesty

de Kiko Goifman e Claudia Priscilla

muito bom

Documentário dinâmico e envolvente, pontuado por uma energia contagiante e uma enorme inspiração a reunir e expor a informação, “Bixa Travesty” é capaz de captar o arrojo e a ousadia de Linn da Quebrada e de transmitir um pouco da essência e carisma desta artista que se apresta a fugir a catalogações fáceis e a arrasar com os preconceitos. Os trechos dos concertos exibem a postura confiante da cantora e activista, com esta a ser capaz de dominar as atenções e de proporcionar espectáculos onde as letras desafiam o machismo, os estereótipos e o marasmo, enquanto as coreografias contam com doses assinaláveis de extravagância, alguma sensualidade e a espaços algum humor. Diga-se que os momentos da vida privada de Linn da Quebrada também estão presentes em “Bixa Travesty” e permitem explanar a maneira muito particular com que a cantora encara o mundo que a rodeia, enfrenta as adversidades e relaciona-se com aqueles que lhe são próximos. Note-se a ligação próxima com a mãe, espelhada num momento onde tomam banho, ou a afinidade e cumplicidade que mantém com Jup do Bairro quer nos espectáculos, quer em situações quotidianas.

Os realizadores Claudia Priscilla e Kiko Goifman acompanham a artista em concertos, em momentos da vida privada, a gravar programas de rádio, a ver fotografias e vídeos caseiros, entre outras situações que permitem efectuar um retrato alargado da cantora. Note-se os trechos em que encontramos a activista a salientar a maneira muito específica como passou a lidar com as fraquezas e potencialidades do corpo a partir do momento em que teve cancro, ou em situações de maior folia, libertação e cantoria. Nas letras de Linn da Quebrada podemos encontrar arte, libertação, choque e uma flecha contra os preconceitos, bem como a consciência de que as várias experiências de vida e o contexto em que cresceu influenciaram a sua pessoa. Negra e transsexual, nascida num bairro desfavorecido de São Paulo, a protagonista pega nas catalogações e dinamita-as, ao mesmo tempo em que, com recurso à sua arte, provoca uma profusão de emoções e desperta consciências. “Bixa Travesty” demonstra isso mesmo ao longo da sua duração, enquanto nos apresenta a uma figura icónica que não se limita a querer ultrapassar as barreiras, mas sim a destruí-las e a não deixar nada da mesma forma como estava antes de ter passado pelo local.

O título do documentário remete para uma das canções mais conhecidas da cantora, na qual esta avisa o seu interlocutor de forma bem viva: “Pode ir saindo com o pau entre as pernas/Acabou o seu império”, num tom provocatório e intenso. A força, a ironia e o inconformismo com que luta contra os preconceitos são assinaláveis. Diga-se que a espaços esta também explana algumas das suas fragilidades. Observe-se o receio de perder a luva da sorte, ou os trechos onde os efeitos da quimioterapia são notórios. Kiko Goifman e Claudia Priscilla acompanham a cantora, conseguem que esta se apresente na primeira pessoa e se dê a conhecer, enquanto provoca e não deixa ninguém indiferente, um pouco à imagem do documentário que protagoniza.

Review overview

Summary

Documentário dinâmico e envolvente, pontuado por uma energia contagiante e uma enorme inspiração a reunir e expor a informação.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Produção
  • Realização
4 10 muito bom

Comentários

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