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[Queer Lisboa 2018] Azougue Nazaré

de Tiago Melo

muito bom

Sagrado e profano, dança e religiosidade, constituem o tema para o primeiro filme de Tiago Melo.

 

Vindo do Brasil, Azougue Nazaré é o primeiro filme de Tiago Melo (que em 2015 trabalhou em Boi Neon de Gabriel Mascaro, e em 2016 em Aquarius de Kleber Mendonça Filho), e leva-nos aos canaviais de Nazaré da Mata no Pernambuco, onde o Maracatu (uma forma de ritmo batucado de origens africanas e aparentado do samba) é, mais que uma dança, um estilo de vida.

Esse estilo representa uma forma de ligação ritualista, onde os homens bebem e celebram juntos, cantam à desgarrada, e seguem as indicações de um pai de santo, por entre religiosidade, superstição, tradição e música. A esta opõe-se o evangelismo, trazido pelo semi-literado pastor, e ex-mestre de samba (Mestre Barachinha), que tenta convencer as pessoas da comunidade que quem está com o Maracatu está com o demónio.

Filmando com as vistosas e vibrantes cores da paisagem natural do Pernambuco, Tiago Melo deixa a câmara rolar entre os seus actores (nalguns casos com interpretações bastante pobres), num naturalismo de vidas reais, que permite elipses e cortes bruscos que nunca nos desviam da atenção de uma narrativa que, mais que procurar uma história com princípio, meio e fim, nos contagia, em pinceladas largas, com um pouco do sabor do quotidiano de uma comunidade pobre, sem outras aspirações que não seja continuar a tradição daquilo em que se revê. O resultado transmite a cor, energia e carisma de um povo para o qual o Cristianismo evangélico é uma presença intrusiva, e é nos desfiles (com roupas e máscaras exuberantes) e batuques do Maracatu que pessoas como Catita (Valmir do Côco), se revêem, por oposição a regras ocas e livros mal interpretados, como o exemplo da sua esposa Darlene (Joana Gatis), a qual prefere uma relação ilícita com o pastor, em nome de Deus.

Azougue Nazaré deixa pontas em aberto, com a sugestão de que alguns dos seguidores do pai de santo ganhariam forma incorpórea nos actos religiosos do Maracatu, desaparecendo misteriosamente. Mas mais que resolver esses mistérios, o filme procura contrapor estilos de vida, expondo um exemplo do cadinho cultural em que o Brasil vive, e trazendo o modo como um homem simples supera as suas fraquezas interiores para assumir aquilo que na verdade quer ser.

Review overview

Summary

No Maracatu rural de Pernambuco, entre pais de santo e evangelizações sem alma, Tiago Melo traz-nos as cores vibrantes de uma comunidade que vê na religiosidade mística tradicional o escape a um dia a dia pobre e sem ambições.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

Comentários

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