Share, , Google Plus, Pinterest,

Print

Posted in:

The Happytime Murders – Pela Hora da Morte

de Brian Henson

mediano

Phil Phillips é um puppet que falhou na vida, perdido entre maços de tabaco e muitos copos de whisky, que o ajudam a não pensar no passado e nas tensões que os da sua “raça” sentem diariamente quando confrontados com seres humanos. Foi polícia durante muito tempo e com grande sucesso, mas deixou a carreira depois de um acidente, ganhando agora a vida como private eye. Em suma, o protagonista de Pela Hora da Morte é uma espécie de personagem saída dos romances de Raymond Chandler ou de Dashiell Hammett, mas para um mundo onde a humanidade convive com a marionetagem. Pode faltar o estilo noir, mas a base da história é a mesma de um caso de Marlowe ou Spade, cumprindo todos os requisitos e clichés do género. E não faltam as piscadelas de olho a alguns filmes e símbolos dessas histórias hard boiled, com direito a voz-off cínica e tudo!

 

Esta é a terceira longa metragem de Brian Henson, filho de Jim, criador de um vastíssimo universo de marionetas que incluem algumas das personagens mais icónicas da cultura popular. É também a sua primeira incursão num estilo de comédia mais “adulta”, completamente afastado dos formatos infantis com o selo de qualidade da família Henson (patente em programas icónicos como Rua Sésamo ou Fraggle Rock), indo além do estilo de piadas mais viradas para os crescidos da série de Os Marretas. Pela Hora da Morte quer ser um filme de um teor humorístico pouco subtil, quase virado para o escatológico, em que bonecos e humanos convivem com toda a normalidade. Se a premissa é boa (e muito nos faz falta ver estes puppets nos cinemas), o resultado final desilude pela preguiça e convencionalismo da sua execução, visual e comicamente falando.

Pela Hora da Morte é então uma paródia às convenções dos filmes detetivescos num mundo alternativo, e uma espécie de Quem Tramou Roger Rabbit? para o universo Hensoniano, com algumas pitadas de buddy cop movie forçadas. É evidente que, ao contrário da trama animada de Robert Zemeckis, a paródia dos clichés por Brian Henson e pelo argumentista Todd Berger, por ser tão pobre (e até preguiçosa em alguns momentos), acaba por tornar o próprio filme num enormíssimo cliché. Falta algo mais do que colocar as marionetas em situações engraçadas e falar ao de leve na atitude “racista” de muitos humanos para com os bonecos. Se bem que não pedimos que qualquer filme que tenha uma junção de dois mundos assim seja um novo Roger Rabbit, talvez seja por isso (e, claro, uma estrutura toda ela mais divertida e elaborada) que esse título seja um clássico e que Pela Hora da Morte não é mais do que um filme ligeiro e simpático pronto a consumir e a esquecer de seguida.

O filme fica no meio termo do que quis construir, sendo uma comédia para adultos que, com alguns laivos de visível (e eficaz) comicidade, se perde ao achar que o “humor dos crescidos” se pode resumir ao que faz muita da comédia norte-americana da atualidade, com piadas mais apropriadas a quem ainda frequenta o jardim-escola, onde o lado “adulto” se expressa apenas com o auxílio de palavrões e badalhoquice. A presença de Melissa McCarthy, um dos nomes mais sonantes do atual cenário do género, pode ter contribuído para isso. Parece-nos que Henson não aprendeu a lição de Team America, a aventura planetária de Trey Parker e Matt Stone que fazia um equilíbrio ideal entre a sátira e os momentos de riso que justificam a bolinha vermelha no canto superior direito do ecrã.

Mas Pela Hora da Morte tem alguns trunfos na sua sátira a Hollywood e ao showbiz, exposta pela investigação de Phillips aos múltiplos casos de homicídio (que nos levam a conhecer algumas ex-estrelas de uma série de televisão popular). E não é uma das piores propostas deste fim de verão cinematográfico, alimentado por estreias e mais estreias que estão uns furos abaixo deste filme. É minimamente divertido, ideal para se ver com os amigos (não esquecendo que, apesar de haver bonecos, não convém trazer as crianças), ou, em último caso, para entrar numa sala de cinema apenas para desfrutar do ar condicionado.

Review overview

Summary

Pela Hora da Morte é uma comédia com bonecos virada para os crescidos, mas que não consegue deixar de ser muito convencional.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2.5 10 mediano

Comentários

Share, , Google Plus, Pinterest,