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O Diário de uma Rapariga Adolescente

de Marielle Heller

muito bom

Filme de estreia da jovem realizadora (e esporadicamente actriz) Marielle Heller, O Diário de uma Rapariga Adolescente (2015) traz o selo do cinema alternativo do Sundance Institute, que apoia este filme, que parece ser, mais que um vulgar coming-of-age, um retrato de afirmação sexual no feminino, representativo da geração que atravessou os anos 70 na muito liberal San Francisco.

 

Baseado na figura da pretendente a cartoonista Minnie Goetze (Bel Powley), O Diário de uma Rapariga Adolescente é um testemunho confessional de uma jovem de 15 anos, que nos relata a sua iniciação sexual, opções arriscadas de vida, e dúvidas existenciais quanto ao amor e ao seu futuro. Até aqui nada de novo, mas o trunfo do filme de Marielle Heller (que também escreveu o argumento, a partir de um livro de Phoebe Gloeckner) está na forma crua com que aborda os vários temas. É com um murro no estômago que aprendemos que a jovem de 15 anos acabou de perder a virgindade para Monroe (Alexander Skarsgård), o bem mais velho namorado da sua mãe (Kristen Wiig), naquilo que é uma directa relação de pedofilia. E é através das obsessões e frustrações de Minnie que vamos conhecendo a espeiral descendente das drogas, submundo pop e sexo fácil. Cabe-nos julgar e sentirmo-nos chocados, ou aceitar e tentar compreender, numa história vai além de uma moralidade a preto e branco.

Tudo isto poderia chegar-nos, quer em tom de comédia, quer como melodrama existencial ou familiar, quer ainda como retrato desapaixonado da alienação de uma geração. Todas essas vias lembrariam algo já feito. Aí reside o engenho de Marielle Heller, que nos consegue dar um pouco de tudo isso, sem nunca perder o equilíbrio de cair por uma via fácil.

Por isso O Diário de uma Rapariga Adolescente atrai e incomoda, diverte e choca, com uma personagem que consegue a nossa admiração e repúdia. Isso deve-se em muito à interpretação de Bel Powley, numa Minnie tão criativamente estimulante como irritantemente disfuncional, pólo sexual de corpo desajustado, num mar de contradições que são, afinal, o retrato que Gloeckner (ela própria uma cartoonista que, como a sua personagem, cresceu na década de 70) e Heller nos querem transmitir.

Review overview

Summary

O Diário de uma Rapariga Adolescente é um filme que incomoda, põe-nos em cheque, faz-nos sentir familiaridade e distância, num retrato de anos excessivos, quer os da década descrita, quer os da juventude da sua protagonista.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

Comentários

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