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[MOTELX 2020] My Heart Can’t Beat Unless You Tell It To

de Jonathan Cuartas

muito bom

Jonathan Cuartas estreia-se nas longas-metragens com uma variação de espírito indie do mito do vampiro.

 

Depois de uma série de exercícios no género de terror no formato de curta-metragens, o norte-americano Jonathan Cuartas estreia-se nas longas-metragens com a produção de baixo-orçamento My Heart Can’t Beat Unless You Tell It To, uma variação de espírito indie do mito do vampiro. Dwight, encarnado por Patrick Fugit, uma cara conhecida para os fãs de Quase Famosos (Almost Famous, Cameron Crowe, 2000), e Jessie, Ingrid Sophie Schram, que teve uma participação fugaz em Linha Fantasma (Phantom Thread, Paul Thomas Anderson, 2017), são dois irmãos que têm ao seu cuidado o enfermo irmão mais novo, Thomas, interpretado por Owen Campbell. Esta tarefa envolve a actividade noturna de raptar e assassinar indigentes para fornecer a Thomas o sangue que este precisa para a sua ténue sobrevivência. Apesar da determinação férrea de Jessie, o empático Dwight começa a vacilar perante a perspectiva de continuar a matar, sonhando em fugir e mudar de vida.

My Heart Can’t Beat Unless You Tell It To, filmado em vinte e um dias e fotografado no opressivo formato de 4:3, abraça sem pudor a sua origem independente e desenvolve a narrativa de forma seca e directa, focando-se nas acções das personagens e confiando na audiência para ir preenchendo as lacunas. Este foco permite que a minimalista história se vá formando como um meticuloso puzzle assente no desenvolvimento das personagens, sem juízos de valor ou moralidades. Este é um conto sobre personagens aprisionadas: Thomas, em permanente estado de debilidade, está confinado a casa e à escuridão proctectora da noite, ansiando por travar novas amizades que o libertem das interações familiares, as únicas que lhe são permitidas. Swight e Jessie são prisioneiros da obrigação fraternal de cuidar do irmão mais novo, ou seja, da sua ligação de sangue. Os três funcionam, na verdade, como uma família disfuncional (e há outro tipo de famílias?), em que Jessie encarna o papel de implacável matriarca, com Dwight entregue às fantasias escapistas a que a “mãe” não se pode dar ao luxo de permitir.

Apesar de enraizado na mitologia e na tradição do filme de terror, e de proporcionar situações de verdadeiro desconforto pontuadas pela amoralidade e sujidade inerente às sangrentas acções, My Heart Can’t Beat Unless You Tell It To funciona como um intenso drama sobre desintegração familiar, sacrifício e aceitação da morte, recompensando quem não se tenha deixado alienar pela abordagem crua e desapaixonada de Jonathan Cuartas.

Review overview

Summary

Apesar de enraizado na mitologia e na tradição do filme de terror, funciona como um intenso drama sobre desintegração familiar, sacrifício e aceitação da morte.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
4 10 muito bom

Comentários

Written by António Araújo

António Araújo

Cinéfilo, mascara-se de escritor nas horas vagas, para se revelar em noites de lua cheia como apaixonado podcaster.

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