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[MOTELX 2020] Black Water: Abyss

de Andrew Traucki

mediano

Será que esta sequela tardia que coloca um grupo de espeleólogos amadores em confronto com um crocodilo faminto tem dentes afiados?

 

Black Water: Abyss é uma sequela tardia da co-produção inglesa e australiana Black Water, de 2007, modesto sucesso de terror na variante de sobrevivência perante crocodilos famintos, sub-género infestado com variados exemplares, desde o baixo-orçamento de culto Comidos Vivos!, de Tobe Hooper, até ao sucesso comercial recente de Rastejantes, de Alexandre Aja, passando por títulos mais ou menos esquecidos como O Lago, de Steve Miner,  ou o australiano Rogue – Morte Súbita, de Greg McLean. Black Water tirava proveito dos pântanos do nordeste da Austrália e, tal como o compatriota dois anos antes Wolf Creek, também de McLean, afirmava basear-se numa história verídica, contribuindo para uma perigosa visão do país, diametralmente oposta à boa disposição de Crocodilo Dundee a que nos tínhamos habituado.

Em Black Water: Abyss, Andrew Traucki, co-realizador do original, está de volta atrás das câmaras para uma sequela com novas personagens que não facilita a própria vida invocando não só inúmeros lugares-comuns do sub-género “crocodilo assassino” como trazendo à memória o excelente A Descida, de Neil Marshall, encurralando um grupo de amigos espeleólogos amadores em remotos e escuros sistemas de grutas, aprisionados por uma tempestade que inesperadamente faz transbordar as águas de um rio, inundando a galeria em que se encontram. Menos convincente do que aquela produção inglesa, Black Water: Abyss é ainda assim impróprio para quem sofra de claustrofobia, com inúmeras cenas em cenários apertados cobertos por água, ao mesmo tempo que o antagonista de dentes cerrados perscruta o território. Aparte alguns destes momentos inerentemente tensos, Traucki vê-se obrigado a recorrer nas restantes situações aos incontornáveis jump scares para fazer subir a adrenalina, infelizmente sem conseguir tirar proveito do realista adereço do crocodilo, nunca injectando verdadeira vida no animal, com a excepção das pouco convincentes cenas em que o trabalho digital se torna óbvio.

O grupo de actores desconhecidos do grande público é competente e eficaz, muito embora a dupla de argumentistas Ian John Ridley e Sarah Smith os deixe encalhados com diálogos pouco felizes e uma dispensável trama secundária melodramática que mais parece saída de uma qualquer telenovela australiana, supostamente desenhada para ressoar emocionalmente, objectivo nunca verdadeiramente atingido. E é mesmo no argumento que residem as maiores falhas de Black Water: Abyss, pois quando a tensão e o perigo deveriam intensificar, aumentando a parada, o ritmo do filme arrasta-se até uma conclusão frustrante e genérica, minando o que até certo ponto tinha sido um eficaz filme de sobrevivência em que o Homem se verga perante o poder destrutivo da Natureza.

Review overview

Summary

Este é mais um genérico filme de sobrevivência em que o Homem se verga perante o poder destrutivo da Natureza: eficaz a espaços, e impróprio para quem sofra de claustrofobia, infelizmente pouco memorável.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2.5 10 mediano

Comentários

Written by António Araújo

António Araújo

Cinéfilo, mascara-se de escritor nas horas vagas, para se revelar em noites de lua cheia como apaixonado podcaster.

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