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[MOTEL/X 2017] The Void

de Steven Kostanski e Jeremy Gillespie

bom

The Void promete recuperar o espírito dos filmes gore de outros tempos, mas será que resiste às comparações a John Carpenter de que tem sido alvo?

 

Abordar um filme desconhecido num festival de cinema como o MOTELX implica, muitas vezes, ter de lidar com referências a outras obras que lhe foram coladas numa tentativa de o qualificar. Se, por um lado, pode calibrar as nossas expectativas em relação ao que vamos ver, por outro coloca-nos imediatamente na memória filmes maiores contra os quais o presente título pode não ter a capacidade de competir. Serve esta introdução para tentar contornar (endereçar?) as referências a títulos maiores de John Carpenter quando se fala de The Void, filme de 2016 da dupla de realizadores canadianos Steven Kostanski e Jeremy Gillespie. Não só a estética e os efeitos especiais nos remetem para produções das décadas de setenta e oitenta, como a premissa do filme encerra um grupo de personagens num espaço confinado na tentativa de repelir uma ameaça externa.

Daniel é um polícia que, ao levar um homem ferido para um hospital semiabandonado — fruto de um incêndio recente — leva na sua peugada membros de um estranho culto que cerca as instalações com motivações misteriosas. Na companhia de um grupo heterogéneo de personagens, onde se inclui Allison, a mulher de Daniel com quem mantém uma tremida relação, tentam sobreviver à estranha ameaça que, no entanto, se revela já se encontrar no interior do espaço que julgavam ser seguro. A partir daqui, a narrativa complica-se, tanto para o grupo de sobreviventes, como para o espectador.

Na verdade, nada disso interessa realmente pois a mais valia de The Void é mesmo a violência gráfica que dispensa em doses generosas na sequência de eficazes cenas de crescente tensão. É refrescante ver um filme moderno de assumido terror gráfico que dispensa o recurso aos malfadados jump scares da praxe, depositando plena confiança na encenação de momentos horripilantes e viscerais para chocar o espectador pela força das suas imagens.

Narrativamente, fica a sensação que o excesso de ideias prejudica a história tornando-a confusa e inconsistente e retirando alguma da ameaça que poderia ter sido sublimada por uma definição mais clara e coerente do seu universo. Ainda assim, é de louvar a ambição de um filme desavergonhadamente gore que começa no universo dos perigosos cultos praticados em seitas obscuras e que acaba no domínio da mais pura ficção-científica.

Review overview

Summary

The Void é um  filme desavergonhadamente gore que começa no universo dos perigosos cultos praticados em seitas obscuras e que acaba no domínio da mais pura ficção-científica.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3 10 bom

Comentários

Written by António Araújo

António Araújo

Cinéfilo, mascara-se de escritor nas horas vagas, para se revelar em noites de lua cheia como apaixonado podcaster.

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