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[MOTEL/X 2017] The Bad Batch – Terra Sem Lei

de Ana Lily Amirpour

mau

Depois dos vampiros, Ana Lily Amirpour traz-nos um filme de exploitation num futuro pós-apocalíptico onde o canibalismo é cartão-de-visita.

 

Em 2014, a norte-americana de origem iraniana (e nascida na Inglaterra) Ana Lily Amirpour surpreendeu com o drama de tema vampiresco Uma Rapariga Regressa de Noite Sozinha a Casa (A Girl Walks Home Alone at Night). Decidida a mostrar-nos que o seu universo narrativo, visual e temático continua pouco convencional, Amirpour traz-nos agora The Bad Batch – Terra Sem Lei (2016), um filme que, tal como anterior, realizou e escreveu.

Continuando a apostar em dramas alternativos passados em ambientes impossíveis de imaginar, Amirpour transporta-nos a um deserto norte-americano pós-apocalíptico, onde comunidades de rejeitados vivem da recolha de destroços (muitas vezes fuselagens de aeroplanos), uso de drogas e música psicadélica, alguns sobrevivendo graças ao canibalismo.

É nesta distopia futurística e muito musculada, reminiscente do universo de Mad Max 2: O Guerreiro da Estrada (Mad Max 2, George Miller, 1981) que evolui Arlen (Suki Waterhouse), ela própria uma rejeitada desse «mau lote» (no original «bad batch») que são atirados do Texas para o território sem lei dos Estados Unidos, onde vale tudo, e onde o único lugar de alguma esperança é a comunidade protegida de Comfort.

Não poupando no gore, cenas de tortura e mutilação, The Bad Batch – Terra Sem Lei é aquilo que, há algumas décadas, se chamava um filme de exploitation. Cru, violento, desprovido de moral, o filme intriga-nos pelo percurso da protagonista, que por entre agruras e alguns membros comidos, vai procurar um sentido, que talvez passe por uma relação improvável com o canibal interpretado por Jason Momoa.

Num elenco que inclui como secundários Jim Carrey e Keanu Reeves, The Bad Batch – Terra Sem Lei espanta tanto pela sua extrema violência como pela crueza da sua lógica interna, e mesmo pelos maus diálogos e interpretações (onde só Carrey se salva), como se o filme fosse uma paródia de si próprio e procurasse a excelência pela ridicularização das suas próprias premissas.

Se não pode ser atacado de falta de originalidade, The Bad Batch – Terra Sem Lei nunca consegue empolgar ou ser levado a sério, acabando por tornar-se um passo mal conseguido na carreira de Ana Lily Amirpour e, ainda que possuindo uma excelente fotografia e cenários competentes, parece auto-decepar-se aos poucos em soluções e comportamentos, no mínimo, ridículos.

Review overview

Summary

Em pleno território de exploitation, The Bad Batch - Terra Sem Lei é um drama muito alternativo, que não se poupa no gore ou cenas de mutilação, para construir uma história, original, sim, mas onde o mau-gosto compete com uma pretensa originalidade de estilo.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
1.5 10 mau

Comentários