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[MOTEL/X 2018] Ghostland: A Casa do Terror

de Pascal Laugier

bom

Mostrando que continua a mover-se no campo da violência extrema, Pascal Laugier traz-nos um conto de terror onde a imaginação de uma escritora é a chave para a fuga do inferno, seja ela real ou metafórica.

 

Autor do célebre Mártires (Martyrs, 2008), filme que aborda o abuso de crianças, de uma forma por muitos considerada excessiva, Pascal Laugier tem sido identificado com o movimento New French Extremity – um cinema que incide na violência, formas de transgressão, corpo humano e desumanidade de acções e sentimentos.

E quando, passados poucos minutos do seu mais recente filme – Ghostland: A Casa do Terror (Ghostland, 2018)  –, as personagens principais – uma mãe (Mylène Farmer, cantora canadiana já dirigida por Laugier num dos seus vídeos musicais) e as suas duas filhas adolescentes Vera (Taylor Hickson) e Beth (Emilia Jones) – acabadas de entrar na casa que será o cenário principal da história, são logo brutalmente violentadas fisicamente, essas sequências dizem-nos imediatamente ao que vamos, sem necessidade de subterfúgios.

Em face de um home invasion, passado numa casa isolada habilmente decorada, o labiríntico da mansão, e sobretudo os adereços, de bonecas de porcelana a tantos detalhes de rendas, bibelôs e peças de mobiliário que não lembram ao diabo, ajudam a tornar o espaço algo feérico, e no mínimo incomodativo, contribuindo para tornar a mansão ameaçadora, como se temêssemos tanto os assaltantes quanto a própria casa. Joga-se então o segundo lado da história quando, através dos olhos da já adulta – escritora e fã de Lovecraft – Beth (Crystal Reed), podemos questionar o quanto do que estamos a ver é real ou produto de uma imaginação habituada a refugiar-se dentro de si para se defender de um mundo que nunca a compreendeu.

A partir daí, Ghostland: A Casa do Terror é um sufocante jogo de suspense, entre invasores sem objectivo racional (vem-nos à memória a violência sem tréguas de Massacre no Texas (The Texas Chainsaw Massacre, 1974) de Tobe Hooper – que Ghostland: A Casa do Terror tenta, de certo modo, homenagear) e vítimas indefesas. Mas também entre Beth e si própria, nas formas que tem de escapar da realidade. Sem nos deixar respirar, o filme joga enervantemente com o seu ritmo, situações gráficas e as nossas expectativas, num espaço onde tudo é algo surreal (da casa aos invasores) e a contínua violência nos vai fazendo afastar o olhar.

Talvez as referências a H. P. Lovecraft sejam inusitadas num filme que parece beber muito mais de Stephen King (em particular pela metáfora implícita ao universo da imaginação em histórias dentro de histórias), mas graças a boas interpretações, e ao citado dècor tão completo como arrepiante, Ghostland: A Casa do Terror merece nota positiva.

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Summary

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3 10 bom

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