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A Minha Vida de Courgette

de Claude Barras

muito bom

Produção em stop-motion do suíço Claude Barras, A Minha Vida de Courgette traz um universo de desajustes e problemas psicológicos vistos pelo olhar cândido das crianças, numa subtil tristeza de beleza poética, mostrando que há muito (e bom) cinema de animação para lá dos formatos da Disney e suas concorrentes.

 

O cinema de animação de língua francesa tem-nos habituado a filmes para um público crescido, onde é constante o uso de humor negro e surrealismo, para envolver temas difíceis, servidos habitualmente por um design irreverente e desconcertante. Nada disso está em falta na longa-metragem de estreia do suiço Claude Barras, num filme em stop-motion, que adapta a obra «Autobiographie d’Une Courgette» (2002) do francês Gilles Paris, e que foi merecedor de nomeação aos Oscars deste ano, e vencedor do Grande Prémio do Festival MONSTRA 2017.

A Minha Vida de Courgette é a história do pequeno órfão Icare, apelidado de Courgette (voz de Gaspard Schlatter), que vai viver para um orfanato, depois de ter provocado, acidentalmente, a morte da mãe, que, alcoólica e depressiva, o maltratava. Aí Courgette conhece outros meninos tão desajustados e já tão desiludidos quanto ele que, sob comando do astucioso Simon (voz de Paulin Jaccoud) o testam, numa série de rituais de aceitação, que têm a ver, essencialmente, com a aceitação e partilha das penas que carregam e ali os levaram. A chegada de Camille (voz de Sixtine Murat), uma menina cheia de problemas, vem trazer um novo interesse a Courgette, que começa também a criar um laço com Raymond (voz de Michel Vuillermoz), o polícia que o trouxe, e uma espécie de órfão de filho, já que perdeu o contacto com o seu.

Sem nunca ofuscar que lida com um tema difícil, A Minha Vida de Courgette fala-nos, de modo inocente, mas sério, de órfãos que são mais que crianças que perderam os pais. Aqui a orfandade é de alegria e esperança, e por isso transversal a adultos também. Num espírito quase «burtoniano», onde se procura beleza na fealdade, e normalidade no anormal, A Minha Vida de Courgette é terno nas descrições de desajuste psicológico, cativante nas histórias de maus tratos e desilusões, inocente como o olhar infantil, mas sério como o tema que trata, sem cair em sentimentalismos ou julgamentos fáceis. E, claro, é sempre estimulante visualmente.

No final, é na tal aceitação, a de que precisamos sempre de alguém, não interessa em que idade estejamos ou que tipo de relacionamento temos, que todo o grupo encontra esperança, quer em novos laços de paternidade, quer na descoberta da importância da amizade.

Resumo da crítica

Summary

Com a habitual irreverência do cinema de animação de língua francesa, o suíço Claude Barras aborda o tema difícil dos órfãos, com um filme visualmente estimulante, onde não falta um surrealismo quase «burtoniano», numa subtil tristeza de beleza poética.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
4 10 muito bom

Comentários

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