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Mary Shelley

de Haifaa Al-Mansour

mau

Já com 200 anos, o Frankenstein de Mary Shelley continua a inspirar, mesmo que nas mãos de Haifaa Al-Mansour seja apenas pretexto para um estereotipado manifesto feminista.

 

No ano em que se celebrou o bicentenário de um dos mais célebres livros da literatura universal, “Frankenstein, ou o Prometeu Moderno”, que se tem revelado uma referência intemporal, a realizadora saudita Haifaa Al-Mansour deu-nos o filme Mary Shelley, que olha para a vida daquela autora inglesa na sua necessidade de auto-afirmação, ao mesmo tempo que especula sobre a génese daquela que foi a obra-prima.

Não é de admirar que, vindo de uma mulher que encarna a luta feminina numa região do mundo onde a desigualdade está presente na lei, o filme seja, ele próprio, um manifesto de feminismo. Interpretada pela interessantíssima Elle Fanning, a Mary Shelley de Al-Mansour é uma jovem libertária, que cresce sob o peso do brilho de dois progenitores intelectuais, e que à luz do exemplo caseiro, decide trilhar o seu próprio rumo, passando viver desde os 17 anos com um homem casado – o poeta Percy Bysshe Shelley (Douglas Booth) – tendo que fugir de casa, com a sua irmã adoptiva, Claire Clairmont (Bel Powley), a qual viria a engravidar de Lord Byron (Tom Sturridge), no famoso retiro na Suíça, de onde sairia a ideia para o livro.

Com rigor académico pela recriação de uma época, e um cuidado especial no definir das origens e motivações de Mary, Haifaa Al-Mansour não resiste em trazer à sua obra um travo de melodrama, com um exagero caricatural dos personagens masculinos, fazendo de Shelley um irresponsável vaidoso, cego a tudo o que não seja a sua fama (em suma, um verdadeiro Frankenstein incapaz de lutar pelo amor que gerou em sua volta), e de Byron um asqueroso aventureiro e abusador de sentimentos alheios.

Com toda a história voltada para o desenlace final com o triunfo da autora, num grito sobre a proeza do sexo feminino, sobra pouco espaço para uma análise mais cuidada, quer da obra quer de outras motivações, tornando o filme demasiado estereotipado. Para uma visão mais ao gosto dos exageros do romantismo do século XIX, e onde a especulação nos leva a pontos mais obscuros da alma humana e dos sofrimentos de Mary, aconselha-se o visionamento de Gothic – Poetas e Fantasmas (1986), o nada fácil, mas bem mais surpreendente, filme do excêntrico Ken Russell.

Review overview

Summary

Filme de época, realizado ao gosto académico, e assente na interpretação da sempre interessante Elle Fanning, o filme Mary Shelley de Haifaa Al-Mansour é um manifesto feminista apostado em caricaturizar e ridicularizar os personagens masculinos, em prole do seu objectivo único, a denúncia do sofrimento feminino.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2 10 mau

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