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London Town

de Derrick Borte

mau

Promessa de ensaio sobre as convulsões sociais da Inglaterra tatcheriana e papel do movimento punk, London Town é apenas uma história telenovelesca sobre as peripécias de um jovem que passa a gostar de Clash.

 

A aposta parecia ganha à partida: um filme sobre o surgimento do movimento punk em Inglaterra, centrando-se na vida dos subúrbios industriais de Londres, durante a ascensão do conservadorismo tatcheriano e tudo o que isso fez à classe média baixa inglesa, London Town tem ainda como chamariz um argumento intitulado “Untitled Joe Strummer Project”, remetendo para a biografia do líder da banda The Clash, uma das mais importantes do período punk.

É isto que Derrick Borte nos propõe na sua quarta longa-metragem. No entanto desengane-se quem pensar encontrar aqui um ensaio sociológico sobre a tal fúria interior que levou ao aparecimento do punk, ou uma descrição da sua estética revolucionária e importância social no final dos anos 70. Ao invés, Borte traz-nos apenas uma história telenovelesca, centrada no crescimento forçado do pequeno e simpático Shay (Daniel Huttlestone), cuja mãe (Natascha McElhone) trocou a vida de dona de casa suburbana pelos fascínios (e drogas) da grande cidade, deixando o pai (Dougray Scott) com o papel de mau da fita, mouro de trabalho, sem tempo para as fantasias dos filhos.

O que resta é um conjunto de encontros fortuitos – como todo o enredo em torno da namorada (Nell Williams) –, visitas à mãe, problemas com credores, acidentes, recontros com polícia, confrontos quase anedóticos entre punks e skinheads e a presença salvadora do próprio Joe Strummer (Jonathan Rhys Meyers, que merecia algo melhor que ser obrigado a imitar uma figura icónica só para a fotografia). Todos os incidentes chegam no momento certo e são resolvidos na hora adequada, tal como pedem as histórias para toda a família. E é isso que Derrick Borte tenta fazer, um filme que entretenha, daqueles onde são sempre as crianças que falam e agem com ponderação e sabedoria e onde todos no fim batam palmas felizes.

London Town tem Clash em fundo, é certo. Mas tão ao fundo que, quando chegamos ao fim, não nos lembramos do que é o movimento punk nem em que época e condições ele ocorreu.

Resumo da crítica

Summary

Com a música dos Clash como mote, London Town promete falar da fúria de uma geração e sua transformação em movimento estético-cultural para se acabar como uma história para toda a família na melhor tradição telenovelesca.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2 10 mau

Comentários

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