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Lego Ninjago – O Filme

de Charlie Bean, Paul Fisher e Bob Logan

muito mau

Continuando a espalhar a mensagem LEGO no cinema como forma de vender brinquedos, chega agora Lego Ninjago, o terceiro filme da franchise, e primeiro baseado em personagens originais da marca, numa adaptação de uma série televisiva do mesmo nome.

 

Terceiro capítulo na saga de longas-metragens com que alimenta o marketing que tem levado à revigorização da marga LEGO, Lego Ninjago – O Filme (The LEGO Ninjago Movie, 2017), realizado por Charlie Bean, Paul Fisher e Bob Logan, é o primeiro que parte de criações da própria marca, deixando de lado as referências da cultura pop, literatura, animação e banda desenhada que foram tema central dos dois filmes anteriores.

A inspiração é a série de TV Lego Ninjago (a decorrer desde 2011), que conta já com oito temporadas a fazer as delícias da pequenada com histórias de artes marciais centradas num conjunto de adolescentes que, como necessário nestas coisas, combate o mal absoluto com humor e irreverência. Como acontece na LEGO, os filmes são motivo para vender caixas de peças, as quais alimentam o imaginário dos filmes, numa pescadinha de rabo na boca de tentáculos transversais (olá Star Wars, Lord of the Rings, Batman, etc. etc.)

Só que, mais que descrever universos partilhados, ou a nostalgia do que é brincar com LEGO, interessa-nos o filme como uma obra fechada em si. E, neste caso, Lego Ninjago – O Filme falha redondamente. Onde O Filme Lego (The LEGO Movie, Phil Lord, Christopher Miller, 2014) e Lego Batman: O Filme (The LEGO Batman Movie, Chris McKay, 2017) foram apostas refrescantes e com muita originalidade, este terceiro capítulo revela-se um subproduto, falho de imaginação, e dando-se em demasia aos truques da velocidade (de acção, de cortes, de diálogo, de música), inconsequentes por si só, parecendo apenas que se dedicam a um público que não consiga ter atenção num plano que dure mais de dois segundos.

O Filme Lego espantou pela originalidade da história, num respeito pelo universo caótico de crianças que construíam LEGO com tudo o que tinham à mão e inventavam histórias surreais com todas as personagens e referências que lhes vinham à cabeça. O filme valeu por esse redescobrir do que é ser criança, onde narrativamente vale tudo, e tudo pode ser visto como um interessantíssimo jogo de imaginação. Quem viu o filme saiu de lá com vontade de fazer construções LEGO, tal o número de exemplos e soluções divertidíssimas que o filme vai apresentando. Já Lego Batman: O Filme apostou numa história mais concisa, cheia de referências a universos nossos conhecidos, com um humor fino e insuperável centrado no icónico Batman, que resultou perfeitamente.

Lego Ninjago – O Filme não tem nada disto. Pretendendo ser uma história de aventura de apelo juvenil (todos os personagens são jovens de liceu), e inspirando-se nas artes marciais orientais, o filme mistura demasiadas ideias antagónicas (a sociedade moderna, o imaginário ninja, os dramas de juventude, uma relação pai-filho, sagas de busca heróica que levam à transfiguração do herói caído em desgraça), sem que nenhuma pareça relevante ou apelativa. O que fica é uma cacofonia sonora, um ritmo de destruição que lembra os piores blockbusters de acção de carne e osso (ou melhor de CGI e CGI), sem personagens interessantes, e onde não conseguimos ver uma construção LEGO minimamente credível, apenas explosões CGI num ritmo alucinante, sem qualquer elegância ou critério. Salvam-se três ou quatro piadas bem metidas, o que é muito pouco para um filme que carrega o fardo de suceder a dois dos mais inspirados filmes para a criançada (e não só) dos últimos tempos.

Review overview

Summary

Carregando o fardo de suceder a dois bons filmes, que recuperavam o imaginário da LEGO, Lego Ninjago - O Filme não tem a elegância e imaginação do primeiro filme, nem o humor e irreverência do segundo, sendo apenas uma cacofonia de som e explosões no que parece um blockbuster de acção em CGI, feito para gente com Défice de Atenção e Hiperactividade.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
1 10 muito mau

Comentários