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Lego Batman: O Filme

de Chris McKay

muito bom

Pela mão de Batman, os bonecos da Lego estão de volta ao grande ecrã, para trazer a nostalgia dos brinquedos de outros tempos, para lembrar como a imaginação pode ser estimulada nos jogos manuais de construção em peças, e claro, para vender muito merchandise.

 

Em 2014, O Filme Lego foi um refrescante sucesso. Saído das mãos de Phil Lord e Christopher Miller, numa associação entre a mítica marca dinamarquesa de jogos infantis e a Warner Bros., o filme foi uma espécie de consequência lógica para a recente associação entre a Lego e várias franchises de cinema, que das séries Star Wars a Lord of the Rings (entre muitas outras), têm trazido novas temáticas (e novos tipos de peças) ao universo Lego, modernizando-o tornando-o de novo popular na era dos videojogos.

Disse-se que o filme tinha uma história caótica, que misturava universos (Batman, C-3PO, Abraham Lincoln e Gandalf surgem juntos ao lado do herói, por exemplo), que era filmado de uma forma saltitante, com planos curtíssimos, e um argumento que parecia escrito por uma criança de oito anos. A quem tenha apontado esses defeitos deve-se dizer «Bem-vindo ao universo Lego, de brincadeiras infantis onde nem tudo tem de ter uma racionalidade adulta!». Quem não o percebeu, provavelmente não teve uma infância digna de tal nome. Phil Lord e Christopher Miller nitidamente tiveram.

Mas é já sem eles a bordo que Chris McKay (que fez carreira na série stop-motion Robot Chicken) se responsabiliza por homenagear esse universo em Lego Batman: O Filme (2017), um filme que parte da popularidade do boneco, que no seu antecessor tinha tido um papel secundário, e que conta com um elenco de luxo de vozes: Will Arnett, Michael Cera, Rosario Dawson, Ralph Fiennes, Zack Galifianakis, Conan O’Brien, Eddie Izzard, Channing Tatum, Jonah Hill, Mariah Carey, Hector Elizondo

A história é agora, talvez, mais concisa, afinal partimos de um ícone da cultura pop, e não precisamos de definir um mundo, como aconteceu no primeiro filme. Se por um lado isto facilita a identificação do espectador, por outro deita a perder algo da inocência do primeiro filme, a tal imaginação sem limites da página branco onde construir, que é afinal a essência Lego.

Mas Lego Batman: O Filme sabe disso e usa-o em seu favor, com muito do humor a basear-se em referências ao personagem Batman através dos tempos, da TV às várias encarnações no grande ecrã. Tentando capturar alguma da citada inocência no definir da história, esta é simples. Joker está triste por não ser levado a sério como o maior inimigo de Batman, por isso resolve vingar-se indo à Phantom Zone buscar todos os vilões do universo, entre os quais se contam Godzilla, King Kong, Sauron, Voldemort e Medusa, no cómico misturar de universos de ficção, que já vinha do filme anterior. Por seu lado, Batman lida com o facto de não ter amigos, nem querer deixar entrar ninguém na sua vida.

Obviamente este contexto emocional (despretensioso e bem conseguido) é apenas uma sátira aos clichés que logo de seguida os personagens espezinham à velocidade vertiginosa com que montam e desmontam todas as peças que tanto servem para fazer uma ponte, um prédio, um carro ou qualquer outra máquina.

É essa vertigem, aliás, o ponto mais fraco do filme. Com uma história divertida, personagens coloridos, e várias químicas interessantes a estabelecer-se, McKay abusa da velocidade. Desta vez não é como se uma criança de oito anos estivesse a fotografar. É como se um director de videojogos o fizesse. Os planos não perdiam em durar mais que fracções de segundo, gostaríamos de ter tempo para apreciar os detalhes, e não se percebe a necessidade de filmar tudo como se por movimentos arriscados da câmara, quando sabemos que não existe nenhuma a sobrevoar a acção, pois tudo é gerado em computador.

Lego Batman: O Filme perde naquilo que devia ser o seu maior encanto, o detalhe da construção e a imaginação de formas e soluções que constitui os cenários e objectos em geral (pode-se-lhes chamar props quando o filme é em CGI?). Há uma obsessão com a velocidade, com tudo a acontecer mais rapidamente do que conseguimos processar, como se velocidade fosse sinónimo de prender a atenção.

Vale a imaginação da história, e o tal misturar de universos que, não só resulta num humor de referências conhecidas, como no relembrar do que eram as brincadeiras infantis, sem guião nem coerência, apenas espaço para criar. E vale o próprio Batman, mais rico e humano que muitos dos seus correspondentes de carne e osso.

Para o bem ou para o mal, a Warner e a Lego continuam a construção, e não vão parar por aqui. The LEGO NINJAGO Movie estreia ainda este ano. Afinal, há mais bonecos para vender antes do Natal.

Resumo da crítica

Summary

Spin-off de Lego Movie, de 2014, o filme de Chris McKay centra-se desta vez em Batman como boneco Lego, no universo reconstruível onde todas as referências infantis se podem misturar sem pudor. Mas se a imaginação e irreverência continuam a pontificar, a obsessão com a velocidade dos videojogos retira alguma elegância ao filme.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

Comentários

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