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[Kino 2019] Adam und Evelyn

de Andreas Goldstein

muito bom

Primeira longa-metragem de Andreas Goldstein, Adam und Evelyn leva-nos à RDA de 1989, para mostrar que, mais importante que a reunificação alemã, foram as mudanças na vida dos protagonistas.

 

Estamos na Alemanha Oriental, no Verão de 1989, e os ventos de mudança já assolam a Europa comunista. Os noticiários dão conta de milhares de cidadãos que tentam deixar clandestinamente a RDA e se refugiam nas embaixadas de Berlim Oriental. A fronteira húngara abre-se, acordos antigos caem, tudo parece estar em colapso.

Alheios a isto estão o casal alemão Adam (Florian Teichtmeister), um alfaiate, e Evelyn (Anne Kanis), uma empregada de mesa, indiferentes à política. Vivem apenas o seu pacato dia a dia, no pequeno jardim do paraíso da sua casa (ou não fossem eles Adam e Eve). Pelo menos ele assim pensa, como diz Evelyn num dos momentos iniciais, quando tem de sair para o trabalho «apenas Adam está no Paraíso», ele que ama o seu trabalho, e não deseja mais nada.

Mas a proverbial expulsão dá-se por um pecado original masculino, quando um momento impensado de Adam faz Evelyn partir de férias sozinha com os amigos Simone (Christin Alexandrow) e Michael (Milian Zerzawy) para a Hungria. Arrependido, Adam segue-a, apanha uma refugiada pelo caminho (Lena Lauzemis), e junta-se à companheira. Mas Evelyn já não será mais a mesma. Uma aventura inesperada, um novo olhar sobre a pequenez de horizontes de Adam, e o perceber que o mundo é maior do que sempre pensou, fazem-na decidir que não quer mais voltar para trás. Adam fica ao seu lado, não pela convicção das decisões, mas porque quer Evelyn consigo.

É este conto de mudança, onde um momento crucial da história da Europa é apenas pano de fundo para algo mais importante – as decisões de vida de Adam e Evelyn – que Andreas Goldstein escolheu para sua primeira longa-metragem, numa adaptação de um romance de Ingo Schulze.

De olhares simples, momentos sem melodrama, paisagens abertas como passaram a ser as da Alemanha de 1989, e uma nostalgia que tem mais a ver com perda de inocência pessoal que política ou nacional, Adam und Evelyn mostra-nos, com subtileza e muito espaço para a contemplação e uma certa tristeza poética, que por trás do que se vê nas notícias há histórias de pessoas, por vezes indiferentes ao momento presente, por outras tolhidas por ele. Para Adam e Evelyn a mudança é uma adaptação a novas realidades (tanto sociais, como na sua relação), numa terra onde «tudo é demasiado», como refere Adam, onde tudo são desafios, que para Adam são incertezas, mas para Evelyn esperanças.

Review overview

Summary

Conto de mudança na vida de um casal da RDA, com a reunificação alemã como pano de fundo distante, numa história quase poética, comovente e contemplativa, sem espaço para melodrama nem dramatismos exagerados.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

Comentários

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