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[Kino 2017] Fuskushima, Meu Amor

de Doris Dörrie

muito bom

Filme de abertura do KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã de 2017, o filme Fukushima, Meu Amor (no original Grüße aus Fukushima) é a mais recente obra de Doris Dörrie, uma realizadora, argumentista e professora universitária, encenadora de óperas e escritora.

 

Já antes ligada ao extremo oriente, em Kirschblüten – Hanami (2008), Doris Dörrie conta-nos agora a história de Marie (Rosalie Thomass), uma jovem alemã a sofrer de uma desilusão amorosa, que se junta ao programa Clowns4Help. Trata-se de uma associação que se dedica a animar populações vítimas da catástrofe de Fukushima, no Japão, as quais foram retiradas das suas casas, colocadas em impessoais aldeamentos, onde ficam esquecidas, envelhecidas, em vidas sem futuro, vendo os mais novos fugir para outras cidades.

É lá que a deslocada Marie conhece Satomi (Kaori Momoi), uma idosa que quer à força voltar para a «zona», isto é a área restrita, destruída por terramoto, tsunami e colapso da central nuclear. A princípio relutante, Marie, que entretanto decide abandonar o projecto, refugia-se, sem saber bem porquê, em casa de Satomi. Aos poucos, as duas mulheres vão-se ligando, na rotina estéril de limpeza e reconstrução do espaço que outrora foi a casa da última das geishas de Fukushima. E é através dos rituais (como a descoberta do ritual do chá) e das rotinas, que o laço se vai estreitando, Satomi vai acreditando numa vida para além da catástrofe, e Marie vai recuperando dos traumas passados.

Juntas, descobrem que os fantasmas de uma (os mortos de Fukushima, que teimam em voltar) encontram espelho nos da outra (as memórias dolorosas da perda amorosa de Marie). Juntas, tentam descobrir na força e exemplo mútuo as motivações que as levem a saber viver a beleza do presente, mesmo quando à volta tudo é devastação.

Como uma lição de vida, que é em simultâneo um pouco da filosofia zen da aceitação dos momentos, bem como um olhar condoído para uma região devastada e um povo esquecido, Fukushima, Meu Amor termina como um grito anti-nuclear, num filme cuja fotografia a preto e branco (e título internacional) é uma homenagem ao célebre Hiroshima, Meu Amor (1959), de Alain Resnais, bem como ao cinema japonês dos anos 50 e 60, dos fantasmas de Mizoguchi ao quotidiano simples e familiar de Ozu.

Resumo da crítica

Summary

Com um arranque algo lento, e temas um pouco derivativos, Fukushima, Meu Amor não deixa de ser uma sentida homenagem a um povo em sofrimento, valendo-se da interpretação sincera e humana das duas protagonistas, numa história de vida tão comovente quanto simples.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

Comentários

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