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Green Book – Um Guia Para a Vida

de Peter Farrelly

muito bom

Em época de Óscares, feito à medida para nos fazer sentir mais humanitários, Green Book mostra que nem só de comédias vive Peter Farrelly.

 

Depois de ter feito nome, com o seu irmão Bobby, na comédia de grande dose de loucura – Doidos à Solta (Dumb and Dumber, 1994), Doidos Por Mary (There’s Something About Mary, 1998), Ela, Eu E o Outro (Me, Myself & Irene, 2000), etc. –, Peter Farrelly decidiu emancipar-se (do irmão, e da comédia) para realizar um dos filmes que mais parece estar a agradar ao establishment de Hollywood nesta época de Óscares.

Baseado numa história real, Green Book (que em português recebeu o dúbio subtítulo Um Guia Para a Vida), conta-nos a história de uma amizade improvável que vai unir, em 1962, um italo-americano de Nova Iorque, Tony ‘Lip’ Vallelonga (Viggo Mortensen), um bronco habituado a pensar com os punhos, e com carreira como músculo de clubes nocturnos de muito dinheiro, e o pianista negro Dr. Don Shirley (Mahershala Ali), snob de gostos refinados, de renome nacional, por tocar música de brancos para plateias cultas, mas que fora do palco o tratam como pária.

O pretexto é uma digressão do Don Shirley Trio ao deep south, onde o racismo ainda impera com recolheres obrigatórios e segregações em locais públicos, o que obriga ao tal livrinho (o nominal Green Book) que ensina onde um negro pode entrar, comer ou dormir, e a uma protecção especial quando as coisas azedarem.

Contexto político ao lado – e este continua actual, com Hollywood em insistir nas farpas ao conservadorismo primário da parte mais retrógrada da sociedade norte-americana, mesmo que algo sanitizada neste filme (onde os racistas o são, mas educadamente) – Green Book é, essencialmente, um buddy movie, que vale por duas razões: Viggo Mortensen e Mahershala Ali. Diferentes, mas ambos carismáticos e verosímeis, é da interpretação destes dois actores e formas como nos surpreendem nas dinâmicas que vão criando, que tudo em Green Book ganha sentido. Com o bronco a ganhar finesse, e a aprender que pode admirar um homem de uma raça diferente, e o snob a descer à terra, ao perceber que afastar-se dos brancos por ser negro, e dos negros por se comportar como branco é apenas um refúgio quando a solução está no calor humano que oito semanas na estrada o levam a aproximar-se do seu estranho motorista.

O resultado é um filme feito à medida, com boas doses de drama e sorrisos, a pitada certa de comoção, sentimento social e piscadela de olho ao lado pessoal. Ou seja, um drama feito para os Óscares, que aponta a factos concretos, toca feridas importantes, mas não ofende ninguém, quase como um conto de fadas, que pode ser moralista sem abanar muito.

No geral, Green Book cumpre, e mostra um Peter Farrelly feliz na direcção de actores e criação de momentos. Mas, findo o filme, voltamos ao ponto inicial e tudo o que trazemos dele são duas coisas – importantes é certo: Viggo Mortensen e Mahershala Ali.

Review overview

Summary

Com Viggo Mortensen e Mahershala Ali a serem o filme, Green Book é um trabalho bonitinho, cuja premissa – um buddy movie de sensibilidade racial – tem muito de déjà vú, mas que os actores sabem levar a bom porto.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3.5 10 muito bom

Comentários

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