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[Festa do Cinema Italiano 2019] Bangla

de Phaim Bhuiyan

muito bom

Quando a integração das culturas imigrantes é um ponto fulcral na construção europeia dos nossos dias, Phaim Bhuiyan dá o seu exemplo pessoal numa comédia instrospectiva e humana, que não deixa de – a brincar – tocar pontos importantes.

 

Nos subúrbios de Roma, como em todas as grandes metrópoles ocidentais, existem bairros satélite de multiplicidade étnica, como é o caso Torpignattara, um local onde se concentra a comunidade bengali. É dela que provém Phaim Bhuiyan, um jovem realizador de apenas 24 anos, italiano de segunda geração, que realiza, assina o argumento e protagoniza a comédia Bangla.

Com uma visão peculiar sobre as etnias que, com maior ou menor sucesso de integração, se concentram em torno das grandes cidades, Bangla traz-nos um olhar divertido e de certo modo optimista sobre a comunhão entre recém-chegados e o país de acolhimento, num filme sem tensões sociais, e onde apenas nas entrelinhas (e em diálogos soltos) se adivinha que nem tudo é um mar de rosas para quem chega em busca de uma vida melhor.

Tensões sociais à parte (e a Itália deste momento tem-nas em crescendo e preocupante número), Bangla usa as diferenças culturais como ponto de partida para o humor centrado no seu protagonista, um jovem que quer ter vida «normal», mas é impedido de, por exemplo, ter sexo com a namorada branca, antes do casamento. Aliás, só o facto de ter namorada italiana é um choque a que ele tenta poupar a família conservadora, e é por essa desesperada tentativa de manter os dois mundos – a namorada e a família – que Phaim (sim, o protagonista usa o nome do actor/realizador) vai cair numa série de situações caricatas e, aos nossos olhos, cómicas.

Mantendo as dificuldades num registo cómico, Phaim Bhuiyan trata os problemas de um modo que nos lembra Chaplin – com uma lágrima e um sorriso –, ao mesmo tempo que uma narrativa feita do seu diálogo e constante busca interior nos lembra de Woody Allen, quase como se Bangla fosse uma espécie de Annie Hall de pendor étnico.

O humor é sempre bem conseguido, a narrativa é surpreendente na sua forma, e Pahim Bhuiyan, no seu misto de desajeitamento estudado consegue cativar-nos pela credibilidade de um personagem que não pretende ser mais nada que um retrato de idiossincrasias pessoais que são transversais a qualquer cultura.

No final, e embora possa ser criticado por amenizar – ou branquear – os problemas que assolam as periferias das grandes metrópoles, talvez Phaim nos queira simplesmente dizer que, mais importante que lembrarmos que vivemos num cadinho multicultural, não há assim tanto que nos separa.

Review overview

Summary

Ao jeito introspectivo e neurótico de Woody Allen, com uma história de singelezas cómico-trágicas que lembram Chaplin, Phaim Bhuiyan assina e interpreta um filme onde as diferenças culturais na periferia de Roma são vistas com humor e motivo para pensarmos que se calhar somos todos mais iguais do que podemos pensar.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
4 10 muito bom

Comentários

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