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[Festa do Cinema Francês 2018] Nos batailles

de Guillaume Senez

mediano

Depois de Keeper (2015) – a história de dois adolescentes que descobrem que vão ter um filho –, o belga Guillaume Senez volta a focar-se no tema da paternidade no seu mais recente Nos batailles (2018).

 

Retrato de uma camada da população (a maioria?) urbana do mundo ocidental. Nos batailles – que pode ser traduzido por um genérico “As Nossas Lutas” – mescla consciência social de lutas laborais em empregos sem segurança, de horas infindáveis que retiram qualquer hipótese a uma vida familiar, com o drama que se segue, e que é – porventura – resultado disso mesmo: o abandono de uma esposa, Laura (Lucie Debay), deixando o marido Olivier (Romain Duris), sem explicações, a aprender o que é tomar conta de dois filhos crianças, enquanto se pergunta o que quer do seu futuro, e por que razão perdeu aquela que via como companheira inquestionável.

Com um misterioso desaparecimento (no sentido em que nunca é explicado, sendo-nos apenas dado a adivinhar) que funciona quase como um MacGuffin, Nos batailles gira em torno da relação entre Olivier e os seus dois filhos (Basile Grunberger e Lena Girard Voss), nas perguntas que se fazem, no muito que fica por dizer, na forma como os seus desajeitamentos se complementam, e no quotidiano de pequenos desafios, que nos lembra de imediato o clássico Kramer contra Kramer (Kramer vs. Kramer, 1979) de Robert Benton.

Talvez para não cair numa história já bem conhecida, Guillaume Senez (que também escreveu o argumento, com Raphaëlle Desplechin – irmã do realizador Arnaud Desplechin) tentou equilibrar o filme entre drama familiar e luta laboral. Mas fica sempre a sensação de que há apenas o objectivo de procurar temas que apelem ao público, sem de facto trazer muito de novo sobre eles.

Nos batailles vale, por isso, por alguns dos momentos entre personagens, cuja forma orgânica e aparentemente pouco cuidada supera quaisquer necessidades de justificações ou soluções miraculosas: a cumplicidade terna entre Olivier e a irmã (Laetitia Dosch); as conversas com a assistente social; e, claro, as muitas interacções entre Olivier e os filhos, imperfeitas e feitas de pouco à-vontade, o que, paradoxalmente, lhes confere maior realismo. Tantas vezes as histórias humanas se constroem do que ficou por dizer ou fazer, e Nos batailles conta-nos isso mesmo. Pena só que pareça algo que já antes vimos.

Review overview

Summary

Entre o drama familiar e a consciência de um mundo laboral escravizante, Nos batailles fala-nos de uma família a ser triturada pelo mundo, e de um pai que tem de reaprender o seu papel, lembrando-nos, sem nada lhe acrescentar, Kramer contra Kramer, de Robert Benton.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2.5 10 mediano

Comentários

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