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À conversa com Manuel Mozos

Manuel Mozos conta já 30 anos ligados ao cinema. Primeiro à montagem, depois assumindo o leme da realização em que se estreou com Um Passo, Outro Passo, e Depois, em 1990. Faz parte da geração a que pertencem Pedro Costa ou Teresa Villaverde, por exemplo, e a que muitas vezes se chama a geração do Novo Cinema Novo. Entre o documentário e a ficção, a sua carreira tem sido pautada por uma solidez que impressiona, onde pontificam os filmes Xavier (1991-2002), …Quando Troveja (1999), 4 Copas (2008) ou Ruínas(2009). É dele, também, o filme de montagem dedicado aos cortes de censura no cinema feitos pelas comissões de censura do Estado Novo, intitulado Cinema – Alguns Cortes: Censura (1999), a que se seguiram, em 2014, as partes II e III. Além de tudo o resto, é funcionário do A.N.I.M. (Arquivo Nacional das Imagens em Movimento – um dos departamentos da Cinemateca Portuguesa) e foi exactamente aí, na Quinta da Cerca, concelho de Bucelas, que falámos com ele.

 

Como é que como é que começou esta aventura pelos Cortes de Censura?

No final de 1998, ou princípio de 1999, ia comemorar-se os 25 anos do 25 de Abril e a Cinemateca contactou-me porque pretendia organizar um ciclo, precisamente em Abril, cuja ideia era passar filmes que tivessem sido proibidos antes da revolução. Na própria Cinemateca tinham sido encontrados materiais fílmicos, de cortes de censura, e no A.N.I.M. algumas pessoas que lá trabalhavam tinham-lhes dado uma vista de olhos, mas era material que estava por ser trabalhado, nomeadamente em termos de identificação. Havia também uma pequena montagem, feita pelo então responsável pelo ANIM (que era o Filipe Boavida), com alguns cortes de cerca de 8 ou 10 filmes, ou uma coisa assim, que ele tinha alinhado e cuja duração se situava entre os 9 e os 12 minutos. A ideia era que eu visionasse o espólio da Cinemateca em relação a cortes de censura, que tinham a duração [total] de cerca de 3 a 4 horas, identificasse os filmes a que pertenciam os cortes e verificasse se era aproveitável para fazer alguma coisa que pudesse ser integrada no tal ciclo. Ao visionar o material e um bocadinho baseado no tal pequenino filme que já tinha sido feito, julguei que era mais interessante usar exclusivamente os cortes sem qualquer tipo de filmagens póstumas, nomeadamente entrevistas ou depoimentos, por exemplo, até porque a grande maioria desses cortes pertenciam a filmes estrangeiros; havia muito poucos portugueses. E pelo prazo e pelas condições que havia, os meios, etc., não dava para ter grandes ambições no sentido de convocar uma equipa para ir filmar por aí. Portanto, a ideia que ficou definida foi tentar criar-se, através de uma montagem, uma sequenciação desses cortes que de algum modo fizesse sentido, desse alguma visibilidade e nos fizesse perceber um bocadinho do que poderia ter sido a censura. Depois de se ter identificado praticamente tudo (com a ajuda de alguns funcionários da Cinemateca ficou pouco por identificar) uma das coisas que também me interessou bastante foi o poder misturar cortes de filmes completamente esquecidos com outros que podem ser considerados clássicos, ou mesmo obras-primas, dando-me a possibilidade de mostrar que a censura “tocava a todos” e não era uma coisa só para alguns.

(…)


in Take 46 – Leia aqui o artigo completo
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