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A Casa da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares

de Tim Burton

bom

Que aconteceria se Tim Burton fosse o responsável por Harry Potter? Talvez a resposta seja o seu mais recente filme A Casa da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares (2016), uma obra onde o autor tem espaço para expor muito do seu mundo de fantasia inocentemente macabra.

 

Talvez a melhor forma de descrever o conceito do novo filme de Tim Burton, A Casa da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares (2016) seja imaginando o que aconteceria se tivesse sido este autor a criar célebre série Harry Potter.

Baseado no livro homónimo de Ransom Riggs (publicado em 2011) e com argumento de Jane Goldman, o novo filme de Tim Burton é mais um capítulo na sua longa saga de obras de fantasia de tons macabros, que desde o início tem definido a sua carreira. Depois de alguns passos mais ou menos em falso, como o drama Olhos Grandes (2014), e o fantástico (e simples veículo para Johnny Deep) Sombras da Escuridão (2012), este no mesmo ano em que apresentava a interessante animação Frankenweenie (2012), Tim Burton volta ao mundo da magia, desta vez nos tons coloridos que recordam um pouco o universo surreal do algo decepcionante Alice no País das Maravilhas (2010).

No centro temos a história de um rapazinho (Asa Butterfield) que se sente deslocado na sua «vida real», onde é vítima de troças. Acontece que esse rapazinho tem ligações familiares a mundos mágicos que ele desconhece, com poderes por descobrir, que o vão se tornar numa espécie de salvador desses mundos. Ainda não lembra Harry Potter?

No elenco, além de um grande grupo de crianças e adolescentes, temos a titular Miss Peregrine, interpretada por Eva Green, que já trabalhara com Burton em Sombras da Escuridão, e que parece candidatar-se ao lugar de uma versão mais jovem de Helena Bonham-Carter, com carisma e excentricidade q.b., mas sem evitar uma dimensão caricatural; Terence Stamp num raro papel de herói; Samuel L. Jackson como o vilão-mor; Chris O’Dowd; um quase irreconhecível Rupert Everett e uma muito apagada Judi Dench.

O que fica é sobretudo o lado visual. Aí, Tim Burton nunca falha. Passando dos jardins soalheiros da mansão de Miss Peregrine, à paisagem cinzenta de Gales, ou às sombras nocturnas de interiores tenebrosos, facilmente nos sentimos num mundo que só existe na cabeça do autor. Do cabelo de ondas angulares de Eva Green às máscaras dos gémeos, das sombras expressionistas da floresta às criaturas demoníacas ou aos incríveis robots animados de Enoch (Finlay MacMillan) em stop-motion, somos transportados directamente para os livros de desenho de Burton, naquele aliar peculiar (passe o trocadilho) de macabro e ingenuidade.

Menos interessante é a própria história, que soa a conhecida, com Burton a diluir e o mistério inicial e as trevas finais com dramas de adolescência, uma insípida história de amor, a sugestão de viagens no tempo, breves metáforas políticas e efeitos especiais de gosto duvidoso dada a dependência do CGI.

Por tudo isso, os fãs de Burton gostarão de deliciar o olhar nos pormenores com que ele enche o ecrã (e podem fazê-lo até em versão 3D), mas talvez fiquem decepcionados por ainda não ser desta que Tim Burton volta a fazer uma obra que nos lembre o que são contos de fadas com aquele tom de macabro tão deliciosamente único.

Resumo da crítica

Summary

Com espaço para deliciar os fãs com o seu universo visual, o novo filme de Tim Burton decepciona por uma história derivada de Harry Potter, sem chama para se tornar num dos contos de fadas inocentemente macabros a que o autor em tempos nos habituou.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3 10 bom

Comentários

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