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Carol

de Todd Haynes

excelente

Nova Iorque, 1950. A jovem Therese (Rooney Mara), trabalha como empregada de balcão numa loja quando conhece Carol (Cate Blanchett), uma mulher mais velha que procura um presente de Natal para a filha. Desse encontro fortuito (e do “esquecimento” de um par de luvas) nasce uma aproximação entre as duas mulheres, que se vai tornando mais íntima, apesar de ambas se encontrarem comprometidas com homens – Therese com o seu apaixonado namorado que deseja levá-la em viagem pela Europa, e Carol com o seu marido, de quem se está a divorciar, faltando ainda definir os direitos de custódia da filha.

 

Carol marca o regresso de Todd Haynes ao cinema naquela que é a sua primeira realização desde 2007, quando assinou I’m Not There – Não Estou Aí, esse peculiar estudo sobre a persona de Bob Dylan. E a primeira coisa que nos salta à cabeça é que sentíamos imensa falta do seu trabalho no grande ecrã – pelo caminho ainda assinou a bem recebida mini-série Mildred Pierce. Já foi há mais de uma década que Haynes nos ofereceu esse maravilhoso Longe do Paraíso (2002), filme que também se focava nos tabus sexuais da América dos anos 1950, e onde Julianne Moore brilhava ao mais alto nível. Mas se esse título era uma assumida homenagem ao cinema da época, em particular uma colagem aos maravilhosos melodramas de Douglas Sirk, Carol é nesse sentido muito mais contido: apesar de visualmente continuar deslumbrante (a fotografia suave de Edward Lachman e a banda sonora de Carter Burwell são belíssimas), tudo assume um ar mais “naturalista”, embora mantendo o nível altíssimo, com cada plano a ser trabalhado ao pormenor, cada enquadramento a arrumar tudo no ponto de vista perfeito e, mais uma vez, com interpretações extraordinárias.

 

Se Blanchett já havia sido o destaque natural de Não Estou Aí (a fazer de Dylan, nem mais nem menos), aqui volta a assumir-se como uma das grandes actrizes do cinema em língua inglesa. A sua Carol assume ao mesmo tempo a postura altiva exigida a uma mulher do seu estatuto social, e o desejo de libertação de uma vida com a qual se parece identificar cada vez menos. Já Rooney Mara, cujo talento também tem vindo a revelar-se nos últimos anos, assume uma Therese mais ingénua, a descobrir a idade adulta, o amor e a sua própria identidade, sendo possível vislumbrar no seu olhar o encanto crescente que Carol lhe desperta. Mais do que grandes declarações amorosas, a sua aproximação acontece à base de pequenos gestos ou trocas de olhares que nos dizem tudo o que precisamos saber sobre elas.

 

Além disso, um dos pontos mais refrescantes de Carol passa precisamente pela sua recusa em tornar-se num óbvio e aborrecido filme-mensagem. Apesar de abordar a homossexualidade e também o papel da mulher na sociedade da época, essa temática nunca nos é atirada à cara, nem Carol e Therese se tornam vítimas numa altura em que uma relação como a sua seria muito provavelmente mal vista, como ainda continua a ser em muitos casos hoje em dia. Os conflitos mais dolorosos surgem não devido à homossexualidade mas ao ciúme e, ainda que o filme nunca deixe de ter presente essa “situação moral”, como a certa altura chega a ser referida, nunca a torna em mais uma batalha de pobres personagens indefesas contra o sistema. O que interessa aqui é a história de amor que lhe está no centro, e nesse aspecto é bem capaz de ser uma das mais comoventes que o cinema americano nos ofereceu nos últimos anos. E tudo culmina numa cena e num plano finais simultaneamente delicados e arrebatadores.

Review overview

Summary

Carol é bem capaz de ser uma das mais comoventes histórias de amor que o cinema americano nos ofereceu nos últimos anos.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
4.5 10 excelente

Comentários

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