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O Meu Belo Sol Interior

de Claire Denis

mau

A sempre magnetizante Juliette Binoche volta numa história de busca desesperada de amor.

 

A presença de Juliette Binoche é razão quase suficiente para nos fazer ter interesse num filme, e deve ter sido em parte isso que pensou Claire Denis, quando compôs este seu O Meu Belo Sol Interior (Un beau soleil intérieur, 2017).

Centrado em Isabelle (Binoche), uma artista parisiense, divorciada e mãe de uma filha, a braços com o terror de que o amor dos contos de fadas já possa ter passado à sua porta e não volte mais, o filme, escrito por Denis a meias com Christine Angot é uma espécie de ensaio na primeira pessoa centrado nessa personagem fisicamente madura, aparentemente bem-sucedida, mas interiormente um mar de paradoxos e fragilidades.

Se o tema é pertinente e a actuação de Binoche é quase 100% do filme, a opção de Denis de tornar o filme uma justaposição dos encontros amorosos de Isabelle, excluindo quase tudo o que exista para além deles, que os permeie ou contextualize, torna-o demasiado repetitivo e previsível. Também não ajuda que Denis decida que tudo no filme tem de ser expresso em palavras, em diálogos que – mesmo que bem filmados, por vezes em longos planos-sequência bem coreografados, permitindo aos actores mostrar o seu à vontade com o papel – não deixam espaço para os gestos respirarem. Denis parece esquecer que os sentimentos não são palavras, e é mais importante fazer-nos acreditar por imagens no que os personagens sentem, que deixá-los dissertar friamente sobre isso.

Esse excesso verborreico, e a queda no anedótico em que se torna a estrutura repetitiva do filme (e onde a aparição de Depardieu não acrescenta nada), são as pechas fundamentais de um filme que, ainda assim, consegue dar-nos a ver o quanto a fuga à solidão, o medo da perda do amor e o desespero por encontrar algo mais, podem reverter em perigosos passos em falso, numa pessoa que, apesar dos seus 50 anos, é ainda emocionalmente imatura.

Review overview

Summary

Centrado na interpretação de Juliette Binoche, o filme de Claire Denis peca por uma estrutura densa e repetitiva, e ao explorar um tema pertinente com excesso de diálogos frios e desadequados que não nos deixam sentir empatia com os personagens.

Ratings in depth

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2 10 mau

Comentários