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Assassin’s Creed

de Justin Kurzel

muito mau

Diz a história que a adaptação de jogos de computador para o grande ecrã não costuma dar grandes resultados. De Super Mario Bros. a Tomb Raider, muito poucos foram os filmes que conseguiram atingir algum nível de sucesso artístico. Este ano começa com a estreia de uma das mais esperadas adaptações do género dos últimos anos, mas o resultado, infelizmente, continua sem convencer. Talvez tenha o que é necessário para agradar aos “fãs” do videojogo, mas para os leigos é apenas mais um exemplo do desnorte que domina algumas das grandes produções cinematográficas de Hollywood, o que talvez explique não só as críticas globalmente negativas como também a fraca performance nas bilheteiras até ao momento.

Callum Lynch (Michael Fassbender) está prestes a ser executado por homicídio quando é ‘resgatado’ por uma companhia misteriosa com ligações à Ordem dos Templários, que pretende utilizá-lo para localizar a Maçã do Éden, que possui o código genético do livre arbítrio, capaz de controlar a violência. Para o fazer, irão ligá-lo a uma máquina que transportará a sua mente para o Séc. XV, onde um dos seus antepassados, pertencente a uma irmandade de Assassinos que se opõe à Ordem dos Templários, luta na Andaluzia durante a Inquisição Espanhola.

Se este resumo da história parece por si só demasiado rebuscado, o filme não ajuda nada a esclarecer os acontecimentos, preferindo saltar desenfreadamente entre sequências de acção espalhafatosas, onde os cortes em catadupa e movimentos de câmara agressivos se sobrepõem a quaisquer noções mínimas de espaço e coreografia. O resultado é na sua maioria confuso e desconexo, mas a verdade é que fora dessas cenas, quando nos tenta explicar os acontecimentos e as peculiaridades do universo em que existe, Assassin’s Creed é frequentemente desinteressante e mergulhado numa sisudez desprovida de sentido de humor.

De resto, nem o elenco de respeito traz grandes mais-valias a esta empreitada, especialmente porque as suas personagens pouco ou nada têm ou em termos de densidade dramática, ao nível dos diálogos, ou do que quer que seja. E se Fassbender ainda se deve ter divertido alguma coisa com as sequências de acção, já Marion Cotillard, Jeremy Irons, Michael K. Williams, Charlotte Rampling ou Brendan Gleeson parecem apenas picar o ponto e aguardar pelo cheque. Justin Kurzel, o realizador australiano que no ano passado estreou entre nós Macbeth com os mesmos protagonistas, não se destaca aqui de qualquer tarefeiro dos tempos modernos, muito dado ao frenesim, e pouco a qualquer espécie de dramaturgia coerente. Tal como muito do cinema actual dominado pelos hábitos televisivos, tudo é estruturado como um grande episódio de uma série cujo final, algo anti-climático, evita grandes conclusões e promete novos episódios para breve.

Resumo da crítica

Summary

Tal como inúmeros outros títulos do género, Assassin's Creed prefere dar prioridade à espectacularidade e a cenas recheadas de efeitos digitais vistosos do que construir material dramático realmente interessante.

Comentários

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