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Annabelle 2: A Criação do Mal

de David F. Sandberg

bom

Prequela de um spin-off, Annabelle 2: A Criação do Mal (2017) expande o universo de The Conjuring – A Evocação (2013), num filme melhor que o seu antecessor, mas ainda preso às fórmulas gastas do terror pop.

 

Quando um filme é anunciado como a prequela de um spin-off, fica logo a confirmação de que o cinema comercial vive de explorar até à exaustão caminhos conhecidos e marcas comprovadas. É por aí que começa Annabelle 2: A Criação do Mal (2017), de David F. Sandberg, o filme que explica as origens da boneca diabólica que fora estrela de Annabelle (2014), de John R. Leonetti, depois de ter surgido a espaços em The Conjuring – A Evocação (2013), de James Wan.

Serve esta introdução para questionar quantos mais filmes serão necessários num género que se torna repetitivo, resultando em histórias quase iguais, tornando difícil distingui-los uns dos outros. É a fórmula recorrente de uma maldição associada a uma casa, pessoa ou grupo de pessoas, geralmente veiculada por um objecto inanimado (uma boneca de porcelana neste caso), e cuja origem se relaciona a uma antiga tragédia, ou crime mal resolvido. A receita é muito antiga, bebendo em folclores tradicionais, mas tornou-se um hino pop na presente década.

Conhecendo nós já a boneca Annabelle, vamos descobrir no filme de Sandberg quem a construiu e porquê, mas mais importante que isso, vamos descobrir como se tornou amaldiçoada. Tudo aconteceu com um conjunto de raparigas órfãs a cargo da Irmã Charlotte (Stephanie Sigman) que se moveram para uma casa isolada no campo (como mandam as regras), onde a filha dos donos (Anthony LaPaglia e Miranda Otto) tinha morrido uma morte brutal com apenas 7 anos. Morreu a menina, mas ficou uma porta aberta para contactar o além, e o que de lá saiu trouxe planos pouco inocentes.

É isso que as raparigas vão descobrir, numa história de violência e muitos sustos, que tem uma primeira metade sólida na apresentação dos espaços e personagens (o longo plano-sequência de entrada na casa é quase scorsesiano), sugestão do mal que está para vir, e descrição visual de ambientes opressivos, fruto de eficazes jogos de sombra. Só que, no último acto, ao crescer para o seu clímax, Annabelle 2 banaliza-se. O argumento deixa de existir, e passamos a um carrossel de sustos, gritos, quedas e aparições súbitas com invariável recurso aos batoteiros jump scares (onde é das explosões sonoras que nasce o susto). Perguntamo-nos então se o filme irá ter mais 10, 30 ou 100 minutos, pois nada mais acontece que essa viagem no comboio fantasma, com aparições à esquerda e direita, e as personagens em fuga por todo o lado.

Claro que, para quem aprecia o género, isto pode até ser um elogio, e diga-se, o filme é bem superior ao seu antecessor de 2014, com uma excelente caracterização de ambientes, e interpretações convincentes, onde se destacam até as duas crianças afligidas, Janice (Talitha Bateman) e Linda (Lulu Wilson). Mas no final fica sempre a pergunta, tem o terror que seguir sempre a mesma fórmula?

Na calha parecem estar um The Conjuring 3, e mais dois spin-off: The Nun, em torno da freira fantasma que aparece no segundo filme da franchise, e The Crooked Man, com o mesmo personagem retirado desse mesmo filme. Por fim, não é de excluir o universo partilhado com o boneco da franchise Chucky. Continuando ao leme, James Wan promete que as pipocas não vão deixar de saltar.

Resumo da crítica

Summary

Um bom aproveitamento do imaginário da boneca de porcelana amaldiçoada, com espaço e ambiente para muito arrepiar de cabelo, mas que, infelizmente, se vai banalizando com recurso aos truques mais básicos de um terror que tende a ser demasiado repetitivo.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3 10 bom

Comentários

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