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A Vida de Brad

de Mike White

Good

Numa altura em que o adolescente Troy (Austin Abrams) se prepara para deixar a casa e seguir para a universidade, Brad (Ben Stiller), o pai, acompanha-o em viagem a uma série de entrevistas em diferentes escolas para as quais concorreu. Ao mesmo tempo que se começam a desenhar as primeiras formas do futuro do jovem Troy, Brad encontra-se numa espécie de crise de identidade, confrontando o presente, o passado, e as suas escolhas, especialmente quando comparadas a alguns dos seus bem sucedidos colegas de curso, hoje em dia todos eles ricos e bem na vida.

Desde muito cedo na sua carreira, Ben Stiller parece ter-se especializado em personagens falhadas, seja nas suas comédias mais desbravadas como Doidos Por Mary ou Um Sogro do Pior, seja em registos mais ‘sérios’ como Os Tenenbaums ou Greenberg. Há uma constante aura de falhanço e de inveja do sucesso alheio em muitas das suas personagens, misturados com uma atitude passivo-agressiva que cimentam os traços principais da sua persona cinematográfica, e que inclusivamente se extende à sua obra como realizador. Brad é uma das mais recentes adições a essa galeria, e é também uma das suas melhores composições dramáticas, muito contida e ao mesmo tempo altamente expressiva através do seu rosto agora mais maduro.

Grande parte do tempo de duração de A Vida de Brad é passado no interior da mente de Brad, e o ponto de vista é sempre interno, representando a realidade como vista pelo seu protagonista, seja através da narração em off, seja pela própria encenação – os flashbacks em que Brad imagina a vida actual dos seus ex-colegas de faculdade são disso um exemplo claro, representando apenas uma imagem mental que este constrói, moído pela inveja de uma vida que este julga não lhe ter sorrido como deveria. Mike White, actor e argumentista com uma já longa carreira, assina aqui o seu segundo filme como realizador e, ao contrário da personagem que interpreta (um realizador de sucesso em Hollywood), sabe ocupar o seu lugar de forma discreta, recusando algumas armadilhas do cinema independente americano, não impondo a estranheza pela estranheza, deixando tudo fluir de forma natural.

Sem ser particularmente inesquecível, A Vida de Brad apoia-se em Stiller e num argumento que, depois de se conseguir libertar do excesso de exposição através da voz off das primeiras cenas, sabe bem para onde quer ir, e como lá quer chegar. As personagens, começando pelo protagonista, são suficientemente complexas para evitarem cair em caracterizações banais, e todo o elenco de secundários, com gente como Martin Sheen, Jenna Fischer, Luke Wilson ou os jovens Austin Abrams e Shazi Raja dá boa conta do recado. Mesmo que, a certa altura, ameace descambar para a condescendência quando aborda as questões de privilégio social, nunca o faz gratuitamente ou trai as suas personagens, nem conduzindo as boazinhas em direcção à iluminação divina, nem demonizando as aparentemente mais desagradáveis. Porque se trata de um filme que compreende a complexidade das pessoas, basta a simplicidade daquelas cenas finais para vincar bem o seu ponto.

Review overview

Summary

Uma das mais interessantes composições dramáticas de Ben Stiller, num filme que trata as personagens com genuíno interesse e faz da simplicidade o seu maior trunfo.

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