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A Caçadora e a Águia

de Otto Bell

mediano

A vida nas estepes da longínqua Mongólia parece estar a entusiasmar os cineastas europeus, e depois de A Hora do Lobo/Le dernier loup (2015), de Jean-Jacques Annaud, temos agora mais uma produção europeia com um animal no título, resultando em A Caçadora e a Águia (2016), a primeira longa-metragem do inglês Otto Bell.

 

Supostamente um documentário, A Caçadora e a Águia olha para a vida ainda cheia de tradicionalismo dos recolectores mongóis de técnicas ancestrais, neste caso destacando o interessante exemplo dos caçadores que usam águias treinadas como auxiliares. É um modo de vida milenar a que o filme dá um toque de renovação na ideia de termos uma primeira mulher caçadora, algo que, como nos é mostrado em entrevistas paralelas, não é muito bem visto pelas gerações mais antigas.

A caçadora é Aisholpan, uma moça de 13 anos, que vive parte do ano na escola onde estuda, deslocando-se à sua tribo que mantém alguma da tradição nómada. Com o apoio inabalável do seu pai, Rys Nurgaiv, Aisholpan é encorajada a seguir o seu sonho de treinar uma águia e tornar-se caçadora, na tradição tribal que vai passando de pais para filhos.

Falado em cazaque, uma das línguas da Mongólia, A Caçadora e a Águia tem narração da britânica Daisy Ridley, conhecida heroína do filme Star Wars: O Despertar da Força (2015), de J. J. Abrams, e dado o seu olhar para uma região remota, e a forma semi-encenada com que a história se nos vai sendo apresentada, lembra o seminal Nanuk, o Esquimó/Nanook of the North (1922), de Robert J. Flaherty.

Tal como no filme de Flaherty, Otto Bell tenta dar-nos uma história estruturada (a decisão de Aisholpan, a captura da sua águia, o seu treino, a participação num festival e a caçada final), onde a narrativa suplanta qualquer veleidade de um documentário naturalista, e nunca se disfarça um lado feminista, onde a modernidade mede forças com a tradição. Mas nem esse confronto é importante para o criar de tensão que surge esporadicamente (no capturar da águia, e na caçada final), por entre sequências onde se percebe que houve nítida encenação, e onde as bonitas imagens naturais ficam sempre aquém da espectacularidade que deixam prometer, e cuja falha em cumprir nunca levanta o filme acima de um mais arrojado documentário da National Geographic.

Fica apenas a novidade do tema, e a simplicidade de gestos, personagens e modos de vida. Afinal, fica aquela inocência antiga, que já víramos em 1922.

Resumo da crítica

Summary

Documentário semi-encenado sobre a vida dos recolectores da Mongólia, o filme de Otto Bell, procura uma via narrativa de componente feminista, que suplanta um naturalismo mais original. Mesclando tradição e modernidade, A Caçadora e a Águia vale pelas suas bonitas paisagens naturais.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2.5 10 mediano

Comentários

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