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68 Kill | Entrevista a Trent Haaga

68 Kill - Trent Haaga

Falámos com Trent Haaga, realizador independente norte-americano cujo filme ’68 Kill’ passa no “Serviço de Quarto” do 11º MOTEL/X.

 

De que modo a “Escola Troma” influencia a tua forma de produção?

Trabalhar na Troma ensinou-me a aproveitar o orçamento ao máximo, a esticá-lo de todas as formas possíveis. A Troma ensinou-me que se não tens dinheiro para fazer explodir um edifício, puxas pela tua criatividade e capacidades para fazer explodir um da forma mais barata possível. Pensar em grande, em não aceitar um ‘não’… e que por vezes vale a pena infringir a lei só um bocadinho para ter o enquadramento como queremos. Mas o mais importante foi mesmo o de mantermo-nos fiéis à nossa forma de fazer filmes, mesmo que não tenhamos a certeza que as pessoas vão gostar ou até concordar.

 

Qual é o teu “film noir” preferido? Ou filmes preferidos.

Tenho muitos mas Double Indemnity (Pagos a Dobrar) e Sunset Boulevard são por alguma razão considerados clássicos. Também adoro Gun Crazy (Mortalmente Perigosa). Sem ser “noir” adoro realizadores como Alex de la Iglesia, John Waters, Werner Herzog. Winding Refn, Gaspar Noe, Russ Meyer, Jacques Tati … Ainda há pouco vi Nocturnal Animals (Animais Nocturnos) e achei fabuloso.

 

Trent HaagaO que te motiva a fazer filmes?

Infelizmente a maior motivação é mesmo ganhar dinheiro. Todos temos família. Adorava fazer só projectos que me dissessem algo mas isso provavelmente só me iria trazer dificuldades. Daí que trabalho nos meus projectos e participo em outros para ganhar dinheiro. Mas mesmo esses são estimulantes, são desafios criativos e sinto-me feliz por escrever guiões mesmo não sendo a partir de ideias minhas.

Quando faço realização o meu objectivo é entreter, criar impacto, surpreender… e por vezes também tentar criar outros sentidos no filme.

 

Diz-me um momento num filme que te tenha marcado.

Quando estava no liceu trabalhei numa loja de aluguer de videos. Na altura era quase um especialista em filmes de baixo orçamento de terror e de kung-fu, mas uma noite antes de uns exames escolares trouxe para casa o Taxi Driver pensando que seria uma boa forma de relaxar. Em vez disso arrasou comigo. Arrasou com o exame e com a nota do teste. Penso que foi a primeira vez que percebi o poder artístico de um filme.

Houve um outro momento quando os meus pais me levaram a um drive-in e eu vi a luta entre o Sinbad e os esqueletos no The 7th Voyage of Sinbad (A Sétima Viagem de Sinbad).

 

“Hollywood” é uma opção ou preferes continuar mais “independente”? Ou não te importavas de fazer ‘um para eles, um para mim’?

Já fiz uma série de coisas na vida: da interpretação à realização, filmes de baixo orçamento, filmes para televisão, jogos para computador… Penso que consigo fazer um filme em “Hollywood” embora tal nunca tenha sido verdadeiramente um objectivo. Mas do ponto de vista financeiro seria muito bom. Gostava bastante de ser um realizador do tipo “um para eles, um para mim” mas para já sou “independente”. E ainda só sei produzir dessa forma.

 

Preferes ser actor ou realizador? Quais são os maiores desafios em cada uma destas funções?

Realizador sem dúvida. Quando és actor só tens um ponto de vista sobre o filme… tens muito tempo de espera entre os takes… Quando és realizador o tempo voa muito rápido e tens muitos mais picos de criatividade e acção e eu como sou uma pessoa que gosta de estar ocupada realização é muito mais desafiante.

Para ser honesto nunca fiz muita força para ser actor. Aconteceu. E nem sequer tenho feito muitos papéis ultimamente. Embora esteja tranquilo em frente à câmara nunca tive formação nesse sentido. Sinto-me lisonjeado quando me convidam para ser actor, mas para falar a verdade dificilmente eu entraria num filme que realizasse.

68 KillO maior desafio de um realizador é tentar orquestrar tantas coisas num filme: direcção de actores, guarda-roupa, música, montagem… obriga a uma grande dedicação e persistência durante muitos meses para levar até ao fim um projecto.

 

Depois de “68 Kill” já há mais algum projecto?

Ando sempre a tentar produzir ou realizar filmes. Já tenho no entanto alguns projectos terminados prontos para lançamento. Escrevi o argumento de um filme chamado It Came From the Desert que vai sair daqui a uns meses e passei cinco meses em Tóquio onde escrevi um jogo de computador chamado The Evil Within 2, cujo lançamento mundial está marcado para Sexta-Feira, 13 de Outubro.

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