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47 Metros de Terror

de Johannes Roberts

bom

O sucesso na altura incomparável de O Tubarão, de Steven Spielberg, em 1975, que é ainda hoje visto como um título incontornável do cinema de horror e de aventuras, inaugurou não só a era dos blockbusters, como também toda uma moda de filmes com tubarões. Das suas várias sequelas de qualidade duvidosa aos inúmeros títulos de produção SyFy, estas temíveis criaturas marítimas têm feito as delícias de muitos espectadores ao longo das últimas décadas, sendo um dos exemplos mais recentes o bem conseguido Águas Perigosas, de 2016 . E não é para menos: o ambiente claustrofóbico do fundo do oceano, aliado à voracidade e magnitude dos tubarões são por si só capazes de, quando minimamente bem explorados, prender qualquer um à cadeira.

E é precisamente isso que nos oferece 47 Metros de Terror – os mínimos indispensáveis ao sucesso de uma narrativa pouco impressionante mas eficaz. Lisa e Kate, que obviamente ficam muito bem em biquini (Mandy Moore e Claire Holt, respectivamente), são duas irmãs de férias no México a tentar esquecer o fim da relação de Lisa com o seu namorado de longa data. Depois de conhecerem dois homens locais, deixam-se arrastar para uma excursão no meio do oceano para avistar o fundo do mar a partir de uma jaula. Para apimentar as coisas, são atraídos alguns tubarões ao local, tornando assim o espectáculo mais impressionante. Escusado será dizer, no entanto, que algo corre mal com o sistema mecânico de elevação da jaula e ambas ficam presas no oceano rodeadas de sedentos tubarões, a 47 metros de profundidade.

Uma das coisas que salta imediatamente à vista depois de o realizador britânico Johannes Roberts passar à frente das obrigatórias introduções às personagens e chegar à acção propriamente dita, é a forma como parece decidido a nunca perder o sentido do ponto de vista das suas protagonistas. Ou seja, o mar e os tubarões são sempre avistados de fora, sem grande alarido, até ao momento em que surge a sua vez de mergulhar, e a câmara literalmente mergulha com elas. É um momento bastante interessante e bem concretizado. A partir daí, o filme é implacável na forma como leva o espectador consigo para um jogo de nervos, metendo ao barulho tubarões, falta de ar nos tanques de oxigénio, problemas com a pressão, e toda a habitual parafernália do género, sem nunca cair em exageros de “espectacularidade” visual desnecessários.

Apesar de em alguns momentos sermos levados a questionar a lógica dos acontecimentos, 47 Metros de Terror é bastante eficaz na forma como vai construindo a crescente tensão e desconforto, tornando-se numa competente jornada de sobrevivência e de luta contra o tempo, expondo bem os problemas das personagens em cada situação, deixando-nos assim a sofrer com elas. Claro que custa ver um actor como Matthew Modine reduzido a um papel tão supérfluo (é o capitão do barco), e basicamente tudo o que diz respeito a cenas fora do fundo do mar é pouco interessante, mas Mandy Moore e Claire Holt são eficazes dentro de água, e é lá que se passa 90% do filme, que até tem direito a umas surpresas. E surpresa agradável é precisamente o que sentimos quando rolam os créditos finais.

Review overview

Summary

Sem apresentar grandes novidades dentro do género, 47 Metros de Terror é ainda assim bastante eficaz na forma como explora a tensão e deixa o espectador colado à cadeira durante uns curtos mas bem passados 90 minutos.

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