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[17ª Festa do Cinema Francês] Amor Eterno

de Tran Anh Hung

bom

Realizado pelo vietnamita Tran Anh Hung, Amor Eterno (2016) é um passeio por um álbum de fotografias, ao longo de várias gerações de uma família da França do século XIX, que troca o realismo, os eventos e a emoção interpretativa pelo compor de quadros vivos de uma enorme beleza.

 

Sexta longa-metragem do vietnamita Tran Anh Hung, Amor Eterno (2016) acompanha a história de uma família francesa no final do século XIX, principalmente do ponto de vista de três mulheres (Audrey Tatou, Mélanie Laurent e Bérénice Bejo), e filmada com a paciência de um Terrence Malick (influência assumida logo no cartaz oficial do filme).

Realizado a partir do do livro L’Élégance des veuves de Alice Ferney, publicado em 1995, Amor Eterno é, mais que um filme, um manifesto que coloca a beleza da imagem como ponto fulcral do cinema. Por essa perspectiva, mais que pela história, peripécias ou interpretações, Amor Eterno é um conjunto de imagens, em que personagens e cenários posam para quadros de uma era, que nos chegam numa fotografia lindíssima, onde os todos os movimentos são lentos, quer os dos actores (muitas vezes filmados em slow motion), quer os da câmara (de longos travellings majestosos, a delicadas panorâmicas). Quase tudo no filme de Tran Anh Hung é paz, beatitude e beleza, seja nas cenas familiares de ternura (e nunca tantos bebés foram beijados pelos pais em tela, nunca tantos olhares ternos e carícias suaves foram trocadas por familiares em cinema), quer nos cenários feitos de interiores faustosos, jardins românticos que nos fazem crer estamos dentro de quadros impressionistas, por entre visões suaves de céu e mar. Talvez por essa ênfase na visão feminina, todo o filme é feito de olhares doces e gestos de amor, todos os lugares são magníficos, todas as roupas são elegantes e perfeitamente alinhadas, todos os rostos sorriem, todo o ambiente é de paz e serenidade.

Quase sem diálogos, todo o filme é narrado em off, com breves diálogos a pontuar um ou outro momento. A «acção» (aceitando aqui o abuso da palavra) avança com a genealogia familiar, isto é, a notícia dos casamentos, nascimentos e mortes, como se estivéssemos a ler uma cronologia sem outro interesse que o puramente factual, ou melhor, a folhear lentamente um álbum fotográfico familiar (note-se que o primeiro momento do filme é uma fotografia), onde se guardam imagens de beleza, ainda que pouco significativas nos enredos familiares e personalidades individuais. Acrescenta-se a dor da perda, e a resolução de continuar, como que perpetuando ciclos que buscam esse tal amor, como mola que faz fluir o tempo.

Exercício visual de grande beleza estética, Amor Eterno é tremendamente repetitivo no mostrar de algo que não tem história. É a homenagem de Tran Anh Hung ao conceito de família, guiada simplesmente por amor, carinho e perda, como sendo a única coisa que fica do passar dos séculos. Como um longo videoclip, ou um longo anúncio publicitário, é um filme que não permite outras atitudes que não sejam amor ou ódio.

Resumo da crítica

Summary

Um longo videoclip de momentos que funcionam como polaroids familiares, Amor Eterno tanto cativa pela beleza das imagens e mensagem serena do amor familiar, como desconcerta negativamente pela sua passividade e exaustiva repetição.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
3 10 bom

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