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Um Homem Chamado Ove

de Hannes Holme

mediano

Representante da Suécia nos Oscars, Um Homem Chamado Ove (2015) é uma comédia dramática sobre um idoso sem outro projecto que não seja reunir-se à esposa já falecida.

 

Escrito e realizado por Hannes Holme, a partir de um livro de Fredrik Backman, Um Homem Chamado Ove data já de 2015, embora só agora chegue a Portugal, muito por «culpa» da sua nomeação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano.

Depois do celebrado Toni Erdmann, chega-nos mais um conto europeu de um homem excêntrico, neste caso o idoso rezingão Ove (Rolf Lassgård) que se sente no fim da vida, após ter perdido a esposa, e sentir que perdeu também o seu propósito, num mundo que não respeita as suas regras e idiossincrasias retrógradas, e que lembra um pouco Clint Eastwood no seu Gran Torino (2008), que curiosamente também usa o amor por um carro como parte da definição do personagem (no caso de Ove, um Saab).

Há algo em Ove que lembra ainda o protagonista do filme de animação Up – Altamente (2009), e também nele podemos, através da impaciência para com terceiros, adivinhar um bom coração prestes a derreter em face do estímulo correcto. Esse vem de uma nova vizinha (Bahar Pars), que o vai importunando com pequenas tarefas, que o distraem das suas actividades: sofrer a morte da esposa Sonja (Ida Engvoll), que vamos vendo em vários flashbacks; continuar teimosamente a patrulhar o bairro em busca de pequenos delitos como cancelas abertas ou bicicletas mal estacionadas; ou simplesmente tentar suicidar-se.

Há sobretudo humor negro em Um Homem Chamado Ove, que vem do seu olhar sobranceiro sobre todos (os «idiotas», com lhes chama), das tentativas de suicídio, e forma como trata até os animais. Ove não é nem procura ser uma pessoa simpática, simplesmente porque se esqueceu como, mesmo quando várias vezes mostra ser capaz de pôr os outros em primeiro lugar. O seu mundo interno não tem como se expressar agora que Sonja morreu, morte essa que é marcante na sua vida, como descobrimos depois de o vermos perder a mãe em criança, e o pai em adolescente.

Esse constante saltar entre o Ove idoso e o Ove jovem (Filip Berg), tem por missão recordar-nos o quanto Ove perdeu e porque deseja tanto a morte. O filme perde-se aí um pouco no propósito, entre essa dor sobre o passado e o tal personagem excêntrico do presente. Nesse sentido Um Homem Chamado Ove torna-se um filme que deixa sempre algo a desejar, não sendo completamente uma coisa nem outra. Pela positiva fica o personagem e o ritmo pausado de Hannes Holme, numa história que podia ter sido algo mais, mas se fica por uma curiosidade, derivativa de outros contos, presa a lugares-comuns que sabem sempre como agradar.

Resumo da crítica

Summary

Comédia dramática com toques de humor negro, Um Homem Chamado Ove promete excentricidade e irreverência, para se deixar levar para o campo dos casos de vida feitos para comover, sem riscos, e sabendo como agradar.

Classificação

  • Argumento
  • Interpretação
  • Produção
  • Realização
2.5 10 mediano

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