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This Voice Is Not My Voice | Entrevista a Rui Mourão

This Voice Is Not My Voice | Entrevista a Rui Mourão

Rui Mourão esteve presente no Festival Internacional de Filmes de Arte em Portugal com o seu filme This Voice Is Not My Voice. A Take esteve à conversa com o artista para descobrir um pouco mais sobre a sua obra.

 

 

Podes falar-nos um pouco do que vais mostrar no Festival Internacional de Filmes de Arte em Portugal?

Chama-se THIS VOICE IS NOT MY VOICE e é um projeto muito intimista no encontro comigo próprio e com as minhas dúvidas. Situa o ponto em que me encontro: numa reconstrução identitária em busca de reaproximar a estética com a ética, a arte com a sociedade, o eu com o outro. Para isso recorro a estranhas combinações de imagens. Umas que eu próprio gravei e expressam a sensibilidade do meu olhar. Outras que me parecem bastante emocionantes e foram gravadas por artistas e ativistas que fizeram parte na ocupação “artivista” do Museu Nacional de Arte Contemporânea (Museu do Chiado). Há ainda confrontos de imagens de arte ocidental com imagens de documentários de rituais indígenas da Amazónia (retirados de filmes realizados pelos próprios índios através de um projeto brasileiro chamado Vídeo nas Aldeias). Tudo sempre ligado por um fio condutor: uma voz que não sendo minha é também parte de mim, por pertencer a alguém que marcou a minha vida.

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O que é que te motivou a filmar THIS VOICE IS NOT MY VOICE?

As questões que abordo foram-se-me colocando desde que realizei a ocupação “artivista” do Museu do Chiado, que como já referi teve a colaboração de dezenas de pessoas. Digamos que entrei nesse ato de dissensão como artista e saí como pessoa. Passei a questionar-me com mais intensidade sobre o sentido da construção cultural a que chamamos arte, uma vez que o atual sistema da arte contemporânea resulta não de critérios inerentes à própria arte, mas de relações de poder definidas por convenções e interesses ao serviço do status social, do mercado e da institucionalização da arte. Diante deste cenário, como não questionar o meu próprio lugar como artista, formado e legitimado por um sistema que critico? São essas questões que fui traduzindo de uma forma audiovisual e que apresento agora no festival.

 

Ao longo da curta-metragem optaste por ter sempre duas imagens em simultâneo. Porquê?

Na verdade nem sei se aquilo que fiz se pode chamar de curta-metragem. Eu misturo linguagens do documentário com videoarte e é engraçado ver como tudo depende do contexto em que é mostrado. Num museu seria claramente videoarte, mas suponho que como está num festival de cinema pode ser visto como cinema.

Tenho sempre duas imagens em simultâneo porque gosto do potencial criativo gerado nesses duplos jogos de imagens. Uso muito isso no meu trabalho. São combinações de sentidos que por via da relação de imagens lado a lado, permite ganhar novos sentidos, por vezes de forma inesperada até para mim.

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Sendo português, porquê a opção pela língua inglesa no título e na voz que descreve os teus pensamentos. Pensas em inglês?

Tenho vários trabalhos em português. Aqui o inglês foi a língua de trabalho simplesmente por este projeto ter sido inicialmente concebido para uma exposição em Londres. A exposição chamava-se Dream Economics e foi organizada pela minha grande amiga Maria Lusitano, que desculpem-me a parcialidade, mas considero uma das artistas portuguesas de vídeo mais interessantes. A Maria convidou para o Iklectik Art-Lab uma série de artistas com preocupações económicas, sociais e políticas. Desafiou-nos a ligarmos os nossos sonhos à arte e a questões das chamadas “Novas Economias” da partilha e de busca de alternativas ao capitalismo neoliberal.

 

Finalmente, o que é que representa para ti que THIS VOICE IS NOT MY VOICE tenha sido selecionado para o Festival Internacional de Filmes de Arte em Portugal?

De acordo com a organização este é um dos três eventos mundiais exclusivamente dedicados a filmes sobre arte e artistas. Portanto fico muito satisfeito de fazer parte de um festival deste género. E ao mesmo tempo é muito despretensioso, acontece no espaço da ZDB, ao Bairro Alto, com filmes de artistas como as Pussy Riot. O que também é divertido.

Nota: entrevista realizada antes da exibição do filme

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