Share, , Google Plus, Pinterest,

Print

Posted in:

Star Wars: Episode I – The Phantom Menace (1999)

de George Lucas

Recebido com tanto entusiasmo como nervosismo, A Ameaça Fantasma foi lançado dezasseis anos após episódio VI: o Regresso do Jedi, de 1983. Marcando o início da nova trilogia da saga interplanetária criada por George Lucas, A Ameaça Fantasma conta-nos o início de tudo.

 

A Ameaça Fantasma decorre assim quase 40 anos previamente aos eventos da primeira trilogia, contando-nos a saga de dois cavaleiros Jedi Qui-Gon Jin (Liam Neeson) e o seu aprendiz Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) que têm como missão negociar a paz com a Federação do Comércio, dirigida por Nute Gunray. Este tem como ordem mandatária a de atacar o pacífico mundo Naboo e a de forçar a Rainha Amidala (Natalie Portman) a assinar um tratado político. No enredo, e em viagem ao longínquo planeta de Tatooine, conhecem um jovem escravo de apenas 9 anos, Anakin Skywalker (Jake Lloyd), que parece ter uma presença da força em si, dita, extraordinária. Após uma ajuda do jovem que permitiu a salvação da rainha, Qui-Gon decide levá-lo para conhecer os líderes Jedi, num desejo de o treinar, já que antevê um brilhante futuro em Anakin. Apesar do conselho não aprovar a ideia por sentir latente um lado de medo e negativo da força, Qui-Gon promete treiná-lo informalmente.

Desvirtuando um pouco o conceito paradigmático “há muito, muito tempo”, que surgia no genérico dos ecrãs de cinema, para contar a história “numa “galáxia muito, muito distante”, A Ameaça Fantasma parece ter alguns problemas não só de forma mas também de conteúdo, aos quais acresce uma expectativa criada desmedida. Começando pela forma, a verdade é que parece haver alguma perda de efeito wow de Lucas, talvez acompanhado por uma falta de paixão e/ou desenquadramento face aos fãs da saga. Depois do lançamento da primeira trilogia em 1977, que o tornou milionário, e que representou uma disrupção não só no mundo do cinema mas também na carreira do realizador (abandonando um pouco o universo de ficção científica de THX 1138, de 1971 ou os problemas dos jovens americanos em American Graffiti, de 1973), Lucas aprimorou-se na arte dos efeitos digitais. A Ameaça Fantasma sofre assim de um excesso de “tecnologia”, perdendo-se um pouco o universo fantástico, natural e orgânico que tão bem foram criados na trilogia anterior, com os cerca de dois mil planos com efeitos digitais (cerca de 95% do filme). Na verdade, os fãs querem personagens reais, com profundidade interior e com quem se possam identificar, e não apenas planos digitais colados ou interpretações em planos vazios com personagens a movimentarem-se. Também personagens como o gungan Jar Jar Binks que, apesar de introduzir uma vertente cómica, acabam por introduzir um caráter excessivamente infantil não foram bem vistas no contexto do filme.

Acresce ainda a narrativa que, numa tentativa de manter uma agenda de temas políticos fortes, há uma desagregação com o universo do filme, havendo uma clara falta de nexo no enredo.

Contudo, nem tudo é mau na saga, já que o core da história se mantem, na luta orgânica e natural entre o Bem e o Mal, com todas as analogias com a vida pessoal de George Lucas – a sua luta contra o pai (o lado mau da Força). Existe ainda sempre algo de emocionante nas batalhas dos Jedi com os seus sabres de luz ou as viagens espaciais que introduzem um efeito de velocidade. Destaque ainda Natalie Portman envergando o guarda-roupa de Jean Paul Gaultier, tornando-a uma personagem distinta neste universo tão fantástico quão digital.

No fim, não se deixa de ter uma sensação de falta de sentimento e de paixão, mas sempre seguido de uma sensação de alívio já que “ a saga continua”.

 

Share, , Google Plus, Pinterest,

One Comment

Leave a Reply
  1. Atenção Diana que o guarda-roupa é da responsabilidade de Trisha Biggar e não Jean Paul Gaultier. O que não funcionou para mim, além da narrativa perra e constrangida, foram as inconsistências entre a trilogia original e a mitificação do passado que tinha construído na minha cabeça. Concretamente a origem de Anakin Skywalker e as suas relações pessoais. A amargura do tio de Luke, Owen, revelava o peso da perda de um irmão pela sua impetuosidade e ambição. Por ser aventureiro e destemido. Por ter perseguido o seu sonho, em oposição à natureza de Owen mais conformista e trabalhadora. Onde está Owen em A Ameaça Fantasma? Depois existem uma série de inconsistências com Obi-Wan. Refere que Yoda foi seu mestre mas, limitando-nos a A Ameaça Fantasma, afinal foi Qui-Gon. Compreendo que tudo isto pareça insignificante mas não o é para mim. Bem sei mitologia original foi resultado de uma mutação narrativa constante, com Lucas a reinventar o passado a cada passo – a revelação de Darth Vader como pai de Luke, este ser irmão de Leia ou esta revelar n’O Regresso de Jedi que se lembra da sua mãe apesar de mais tarde, no episódio III, sabermos que morreu no parto. O mundo de possibilidades do MEU Star Wars era infinitamente mais rico. É possível que George Lucas tenha feito exactamente o que queria fazer, e quem o pode censurar? Mas ninguém se teria queixado se as prequelas fossem realmente muito boas.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *