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O Som na Ditadura da História

O Som da Ditadura da História© by www.nowness.com

Desde a industrialização do cinema sonoro em 1927 que num filme a realidade de um som é sempre certificada pela sua sincronização com um elemento dentro do campo visual. Tal acabava por ser necessário para criar um efeito de verosimilhança no espectador ao adaptar uma nova forma de expressão (o som) a algo já existente (a imagem). O sincronismo, essencialmente labial através da proliferação de filmes musicais era então fundamental.

 

O público habituou-se a isso, ficando cada vez mais cómodo nas suas cadeiras. O cineasta, assim instruído dentro do sistema de Hollywood, habituou-se a isso mantendo centrada a sua atenção no que já tomava antes: a história. As orquestras habituaram-se a marcar os ritmos e as emoções do que viam no ecrã. O responsável pela banda sonora com pouca margem de manobra, habituou-se a isso, tornando o som ‘invisível’ a quem o ouvia.

Para o público em geral, o som vem naturalmente com o filme, ou seja, quando se filma algo o som é gravado em simultâneo. Isto em parte é verdade pois procede-se à sua gravação. No entanto som e imagem são gravados em suportes diferentes pois as câmaras de cinema só registam imagem.

No entanto mesmo no seu início vários cineastas, essencialmente europeus ligados a movimentos de vanguarda artísticos como Sergei Eisenstein, Man Ray ou René Clair, viram na utilização da música ou Dziga Vertov na utilização do ruído, uma forma de expressão autónoma que por si só também tinha algo a dizer, inclusive em conjunto com a imagem e o guião.

E é precisamente no guião que está muita da ‘culpa’ dos filmes que produzimos. A excessiva importância que é atribuída à história, à forma de desenvolvimento amarrada a estruturas narrativas há muito definidas limita-nos por vezes aquilo que é o cinema: som, imagem, montagem…

A não utilização do som como parte criativa é responsabilidade de todos: o produtor muitas vezes não quer arriscar, preferindo usar as estruturas sonoras já estabelecidas e o cineasta (profissional ou amador), armado com as ferramentas digitais que lhe permite criar ‘efeitos’ e ‘loops’ de modo muito fácil, quase sempre procura copiar a indústria ao invés de usar a liberdade e a criatividade sustentada do conhecimento que adquire dos diversos filmes a que assiste. Nunca foi tão fácil fazer filmes como nos últimos anos, difícil é fazer filmes ‘diferentes’ e convém lembrar que ninguém se distingue por fazer igual ao que já existe.


Marco Laureano
Formador

(www.cursogeraldecinema.com)

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