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[Segunda Dose] Tubarão 2 (1978)

de Jeannot Szwarc

E se certos filmes nunca tivessem continuação? Algumas sequelas enriquecem o original e transformam um filme isolado no primeiro capítulo de uma saga popular. Outros, não só matam qualquer hipótese de uma franchise de sucesso como, inclusivamente, diminuem os originais. Mas será que merecem a fama que ganham? Proponho a análise a alguns destes casos, desde A Mosca II, passando por O Exorcista II: O Herege, até Speed 2: Perigo a Bordo. Hoje, quando pensavam que era seguro entrar novamente na água… Tubarão 2.

 

O original: O primeiro blockbuster da era moderna do cinema americano que traumatizou muita gente e incutiu noutra tanta o medo de mergulhar no mar: O Tubarão de Steven Spielberg.

Quem voltou: O argumentista Carl Goetlieb, o compositor da icónica música original John Williams, e os actores Roy Scheider, Lorraine Gary e Murray Hamilton.

O veredicto: Em 1978, três anos depois do sucesso de O Tubarão, filme de Steven Spielberg que, em retrospectiva, é apontado como o título que abriu as portas à era do blockbuster americano, surgiu a inevitável sequela. Inevitável, também em retrospectiva, porque à data a produção de sequelas ainda não se tinha institucionalizado. Apenas em 1974 apareceu a primeira sequela americana numerada, neste caso O Padrinho: Parte II, sendo que o Tubarão 2 foi a primeira sequela a usar um numeral não romano no seu título. A Universal apostou em forte numa produção que custou mais de três vezes o orçamento do filme de Spielberg e, se foi o seu maior sucesso do ano, e a sequela mais rentável da história na altura, até à estreia de Rocky II no ano seguinte, a verdade é que Tubarão 2 não deixou marca nem é recordado pelos anais da história cinematográfica, a não ser pela sua memorável frase promocional: “Mesmo quando pensavam que era seguro entrar novamente na água…“.

Steven Spielberg e Richard Dreyfuss recusaram voltar. Carl Goetlieb regressou na escrita do argumento em conjunto com Howard Sackler, um colaborador não creditado do primeiro. O icónico John Williams também voltou, mas com uma banda sonora que parece constituída pelas faixas rejeitadas do filme anterior. No que respeita aos actores, Roy Scheider regressou por obrigação contratual com a Universal e Lorraine Gary e Murray Hamilton, secundários no original, foram aqui promovidos ao elenco principal. Se o elenco parece ser a melhor versão possível do filme anterior, a produção que se seguiu foi suficientemente conturbada para prejudicar as hipóteses de qualidade do resultado final. John D. Hancock, o primeiro realizador escolhido que trazia uma visão mais negra para o filme, onde a vila de Amity estaria semi-abandonada na sequência dos eventos do filme anterior, foi despedido ao fim de um mês de filmagens. Scheider, além de participar no projecto a contra-gosto, teve um choque de personalidades com o realizador escolhido para substituir Hancock, o francês veterano da TV Jeannot Szwarc. O confronto foi de tal forma que, quando o produtor David Brown patrocinou uma tentativa de entendimento, esta acabou em confronto físico entre os dois homens.

Mas o que prejudica seriamente Tubarão 2 é a sua narrativa, derivativa e mais orientada para o público juvenil. A aleatoriedade da encarnação da força destrutiva da natureza do filme original tinha tido a sua conclusão definitiva no desfecho daquele e seria sempre muito difícil prolongar a história satisfatoriamente. O problema principal do argumento de Goetlieb e Sackler é a colagem directa à estrutura base do filme anterior. Amity volta a estar na mira de ataques mortíferos de um grande tubarão branco na época balnear. O chefe Brody volta a ser o primeiro a desconfiar da origem desses ataques para voltar a ser castrado nas suas acções preventivas pelo Mayor da vila e pelos interesses económicos, desta feita de um hotel em inauguração, chegando mesmo a ser despedido. Quando finalmente a ameaça é óbvia Brody lança-se ao mar para mais uma caça ao grande peixe assassino. Mas desta feita, em vez da companhia de Quint e Hooper, estamos à deriva para a recta final do filme com um bando de adolescentes histéricos e em pânico.

Mas talvez o maior crime seja mesmo a falta de suspense ou emoção. Szwarc bem tenta recriar alguns sustos e momentos popularizados no filme anterior mas não é Spielberg quem quer e o que sobra é um conjunto de situações previsíveis que acumulam num filme monótono e desinteressante, em que a única vantagem de ser visto em casa hoje em dia é o facto de que podemos baixar o volume da televisão quando os gritos da maralha se tornam insuportáveis.

 

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