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[Segunda Dose] Os Caça-Fantasmas II (1989)

de Ivan Reitman

Os Caça-Fantasmas II (1989)

E se certos filmes nunca tivessem continuação? Algumas sequelas enriquecem o original e transformam um filme isolado no primeiro capítulo de uma saga popular. Outros, não só matam qualquer hipótese de uma franchise de sucesso como, inclusivamente, diminuem os originais. Mas será que merecem a fama que ganham? Proponho a análise a alguns destes casos, desde A Mosca II, passando por O Exorcista II: O Herege, até Speed 2: Perigo a Bordo. Hoje, a continuação do clássico de Ivan Reitman, Os Caça-Fantasmas II.

 

O originalOs Caça-Fantasmas, de 1984, sucesso planetário de premissa fantástica que tirou proveito de um talentoso elenco de cómicos de primeira linha.

 

Quem voltou: Toda a gente!

 

Os Caça-Fantasmas II (1989)

 

O veredictoDepois do final apoteótico do primeiro filme, como regressar ao universo dos caça-fantasmas? A resposta foi colocar os heróis na estaca zero da sua fama e credibilidade e reproduzir os mesmos momentos da narrativa do filme original. Em equipa que ganha não se mexe e, da mesma maneira, também não se mexe em fórmulas vencedoras.

Mais uma vez a mitologia e motivações do vilão do filme são irrelevantes mas desta vez traduzem-se numa curiosa manifestação: um rio subterrâneo de gosma que se alimenta de sentimentos negativos, do qual os habitantes de Nova Iorque são uma fonte inesgotável. Esta cidade volta a ser, aliás, não só a localização da acção, como uma personagem essencial e parte intrínseca do universo dos caça-fantasmas, sendo que o díptico com o elenco original parece funcionar como uma carta de amor à Grande Maçã.

Adicionando ao elenco um engraçadíssimo Peter MacNicol, em modo devorador de cenários, e, apesar de não ser tão memorável como o filme anterior, Os Caça-Fantasmas II é, ainda assim, bastante divertido, se bem que mais infantil. Isto deveu-se à influência da série de animação baseada no original produzida para televisão, que entretanto se tinha tornado bastante popular. Os maços de cigarros desapareceram nesta sequela, e o protagonismo de Annie Potts e Rick Moranis, no papel de Janine e Tully, foram reforçados, bem como uma intervenção benigna de Slimer, o inesperado aliado dos heróis na série animada.

Ivan Reitman volta a jogar com a percepção do público e revela-se auto-consciente do papel da sequela, introduzindo o pormenor metafísico da mudança de símbolo do grupo que, na lógica interna do filme é suposto representar um regresso à mó de cima, mas que na cínica lógica do marketing representa mais merchandising para cativar a pequenada. Esta mudança de logótipo nunca me caiu bem e, até hoje, é algo que me faz revirar os olhos quando aparece em cena.

Quando chegamos ao final Peter, Ray, Egon e Winston dão vida à estátua da liberdade de forma a inspirar os nova-iorquinos a inverter a energia da gosma, transformando-a num símbolo da união e resiliência da cidade perante a adversidade. Este é um conceito um tanto ao quanto sacarino mas ao qual é impossível resistir dada a honestidade da encenação de Reitman e das interpretações do elenco e, quando os créditos rolam, apesar de sabermos que não é tão bom como o primeiro, estamos com um sorriso na cara e podemos afirmar sem vergonhas que sim, gostamos de Os Caça-Fantasmas II.

 

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