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Sala Oculta

de D. J. Caruso

mau

Do que conhecemos de D.J. Caruso, que assinou títulos como Paranóia (2007) ou Olhos de Lince (2008), sabemos que há uma tendência para assumir as suas influências cinematográficas de forma bem evidente – os filmes anteriormente citados, por exemplo, podem perfeitamente ser vistos como variantes modernas de dois populares êxitos de Alfred Hitchcock, Janela Indiscreta (1954) e Intriga Internacional (1959), respectivamente. Desta vez virado para o cinema de terror, Caruso parece evocar em Sala Oculta influências mais abrangentes, mas são recorrentes as piscadelas de olho ao Shining (1980), de Stanley Kubrick. Tão recorrentes, aliás, que o espectador é automaticamente forçado a entrar em comparações, o que não abona de todo a favor do seu trabalho.

Dana (Kate Beckinsale) e David (Mel Raido) são um casal que se muda com o seu filho pequeno para uma isolada casa no campo, não apenas para trocarem o rebuliço da cidade grande pela tranquilidade rural, mas também para Dana poder exorcizar fantasmas do passado. Arquitecta de profissão, a recuperação da nova casa e a mudança de cenário podem ser tudo o que esta necessita para superar um trauma que, percebemos pouco depois, está relacionado com a perda de uma filha ainda bebé. Mas as coisas depressa mudam de figura, quando Dana começa a ouvir barulhos estranhos e a ter visões assustadoras sobre os fantasmas que habitam aquela mansão.

Enésima variação sobre o tema da casa assombrada, Sala Oculta consegue a espaços baralhar as expectativas do espectador sobre os clichés habituais no cinema de terror (como a ideia da criança que fala com espíritos que só ela vê, ou de uma protagonista feminina cuja pureza e a bondade acabarão por a salvar do mal). Mas, sejamos claros, aquilo que consegue de bom é pouco, muito pouco para a sua curta duração. Ao querer tornar este num pesado drama psicológico, Caruso retira ao filme não só qualquer sentido de humor (que aparece de vez em quando na figura dos habitantes locais) mas também de entretenimento, e à medida que se vai aproximando do seu final, o filme vai perdendo gradualmente o interesse, com Kate Beckinsale (que ainda no ano passado nos presenteou com uma interpretação sublime em Amor & Amizade) a fazer o que pode perante a salgalhada que se vai formando.

O que fica, no final, é uma ideia relativamente interessante que o guião escrito a meias entre Caruso e Wentworth Miller (actor de Prison Break que já tinha visto o guião que escreveu para Stoker ser um pouco mal tratado pelo realizador Chan-wook Park) não vê concretizada como merecia. O que começa por ser uma incomodativa história de horror vai-se tornando gradualmente mais atabalhoada, sofrendo de evidentes problemas ao nível da edição e da realização, com transições entre cenas algo aleatórias e pouco convincentes, deixando a coerência algures pelo caminho.

Resumo da crítica

Summary

O que começa como um promissor filme de terror sobre uma casa assombrada, rapidamente se torna num objecto desinspirado e incoerente que dificilmente deixará qualquer marca dentro do género.

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